Tempestade em copo de cappuccino

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

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Eu fui acostumada muito mal.

Sexta-feira, 17:30 da tarde. O dia ainda nublado e úmido, logo depois de uma quinta-feira na qual as garoas ainda surtiam efeito. Na cafeteria, só um casal em uma mesa distante da porta, uma senhora de idade sentada próxima à janela e um homem com os poucos fios de cabelo desgrenhados e já perto de um tom acinzentado.
— Também vai querer café? — perguntam-lhe com simpatia.
— Seria perfeito. Cappuccino, por favor. Para a viagem. — retribuiu com um sorriso, como se agradecesse o bom atendimento.
"Cappuccino", pensou, ainda semi-acordada de um daqueles devaneios que sempre teve pelos mais bobos e inúteis motivos. Olhou para as nuvens que deixavam o céu opaco, deu uma pequena risada ao relacioná-lo aos raros cabelos do homem que acabara de sair. Já perto de outro devaneio, sua atenção foi chamada pela moça simpática que a atendera.
— Com licença. — disse, colocando o café sobre a mesa.
Olhou mais uma vez para o céu. Depois de ver um passarinho qualquer voando rapidamente para se esconder da chuva que já começava a cair, com um ligeiro riso, pegou o café, pagou pela comida e saiu para sua casa.
Durante a metade do quarteirão, o chão já estava completamente encharcado. Não se importando, passou a tomar o café debaixo de um daqueles seus guarda-chuvas floridos que insistiam em se perder dela. Fez uma cara de decepção.

Arg, café puro.


Riu de si quando percebeu sua situação no meio da rua deserta.

Eu fui acostumada muito mal mesmo...

Beija-flor de vaivém

domingo, 12 de setembro de 2010

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"Os beija-flores são aves de pequeno porte, que medem em média 6 a 12 cm de comprimento e pesam 2 a 6 gramas. O bico é normalmente longo, mas o formato preciso varia bastante com a espécie e está adaptado ao formato da flor que constitui a base da alimentação de cada tipo de beija-flor. (...) São as únicas aves capazes de voar em marcha-ré e de permanecer imóveis no ar. O batimento das asas é muito rápido e as espécies menores podem bater as asas 70 a 80 vezes por segundo. Em contraste, as patas dos beija-flores são pequenas demais para a ave caminhar sobre o solo."
Eu era apenas um beija-flor esperançoso no meio de um céu nublado. Tudo o que eu sempre quis foi voar, até ser capturado por algumas cordas velhas de violão que já não faziam um belo acorde.


Vieram avisar que toco violão bem
Mas como pode beija-flor de vaivém
Fazer música aos ouvidos de alguém?

Vermelho

segunda-feira, 12 de julho de 2010

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*Com vermelho, pintei as unhas,
Pintei os dias e passarelas escuras.
Pintei o que achava que não ia,
Colori tudo que vermelho abrangia.


*Vermelho faz parte da tua vida.


*Com vermelho, pintei corações, pintei flores
Só para representar o caminho que fores.
Coloquei suspiros com sacolas e divisão
Apenas para agrupá-los em um padrão.


*Vermelho te dá e tira o teu chão.


*Com vermelho, pintei faróis,
Pintei casas, pintei bemóis,
Transbordei por várias pessoas
Descobrindo algumas tesouras... que...


*Tesouras que eu nunca quis achar
Pois elas não te fazem querer pintar,
Elas te fazem partir só por avenidas
Ou obrigam a pedir carona e comida.


*Vermelho AINDA faz parte da tua vida.

'Dismantle.Repair.' era a trilha sonora

sexta-feira, 9 de julho de 2010

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— Eram vários corredores, sabe? Bem iluminados, tapetes vermelhos, quadros. Eram corredores curvos como em um universo paralelo, eu acho. Uma das portas brancas dava acesso a um armazém velho, e só se enxergava lá dentro por causa de uns feixes de luz dos buracos do teto. Foi uma mudança brusca dos corredores para o armazém.

— E por que você corria pelos corredores até achar o armazém?

— Eu estava seguindo uma pessoa.

— Por que?

— Porque ela sorria, e eu segui seu sorriso.

— E então?

— Eu cheguei ao armazém e encontrei a pessoa lá. Ainda sorria, mas não com o mesmo conforto. Parecia preocupada. Sentou-se no chão empoeirado, e eu copiei seus movimentos. Olhei fixamente até obter alguma resposta, mas só via um rosto com um leve meio-sorriso, com algumas rugas de preocupação, como se algo fosse acontecer. Eu puxei conversa, e deixei um meio-sorriso se criar no meu rosto também, mesmo que eu estivesse com um pouco de medo do lugar. Alguns segundos depois, eu escutei um barulho. Imediatamente, não vi mais o sorriso do rosto de quem eu havia seguido — ao contrário, sua felicidade deu lugar à preocupação. Então apareceu um homem na entrada do armazém dizendo que eu tinha que ir.

— E você foi?

— Fui.

— Por que?

— Não sei, eu só fui. Mas não queria ir. Eu fui como se fosse uma obrigação.

— E então?

— Eu fui até a entrada, olhei para o homem. Uma angústia possuiu meu peito e eu não olhei para trás quando comecei a correr pelos corredores de volta. Eu ignorei completamente a luz confortadora deles e corri chorando até que eu saísse daquele lugar. Então, eu cheguei à uma rua com uma espécie de praça em frente, e estava deserta. Eu me sentia com medo, mas não sabia porque.

— E depois? O que houve?

— Eu acordei do sonho.

— Só isso?!

— Não. Eu também percebi que tinha que fazer algo.

A síntese

quarta-feira, 26 de maio de 2010

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Sinceramente, não venho com um texto repleto de metáforas hoje. Só vim falar. Falar sobre o que? Vamos por pontos.

*É, pessoas são idiotas. Para mim, isso é uma regra. Mas isso não diminui minha fascinação por pessoas, embora tenho visto coisas por aí que me bombardearam com decepções. Aliás, está aí uma das provas: pessoas sempre decepcionam outras pessoas. Por que? Porque ninguém é perfeito, e não há nada de errado nisso. Ninguém é perfeito porque somos naturalmente idiotas, e somos idiotas porque somos naturalmente imperfeitos. Nascemos repletos de defeitos e qualidades, e vamos morrer da mesma forma, com uma proporção diferente desses defeitos e qualidades; isto é, se você é disposto a querer aumentar as coisas boas que você tem. E como eu não acho que temos um motivo para estarmos nesse mundo, prefiro usar minha vida tentando sempre ser uma pessoa melhor com o que eu acho correto comigo mesma.

*Então começa outro ponto: não temos um sentido de vida. Não creio que fulano nasceu para fazer isso, e beltrano nasceu para ser assim. Não temos um caminho certo, nós fazemos esse caminho a cada dia, cada hora, cada segundo, no sentido mais literal. Cada segundo é uma escolha que fazemos. E são essas atitudes que nos formam, e, consequentemente, atitudes anteriores resultam nas futuras. Coisas minúsculas hoje podem te fazer mudar pensamentos e, no final, ser uma pessoa completamente diferente do que você poderia ter sido. É meio que um efeito-borboleta, como chamam por aí. E creio que a vida funcione assim.

*Sentindo que não tenho um sentido de vida, me vejo muito mais confortável para seguir meus sonhos com confiança na minha capacidade e para fazer o que eu achar mais devido na minha passagem por aqui. Eu escolhi viver acreditando em sentimentos na maioria do tempo, porque se o ser humano é capaz de sentir algo tão forte dentro de si, acho que devemos usar para alguma coisa. Mas não sou do tipo que é cega por acreditar em algo, existem casos e casos.

*Chegamos a outro ponto: o egocentrismo. Pessoas são egocêntricas. Eu penso que isso deve ser algum mecanismo da natureza que tem alguma funcionalidade em partes da nossa vida. E é por todo esse egoísmo e afins que tantas pessoas tentam impor sua opinião, às vezes contrariando até o que acreditam para conseguirem. Eu realmente não gosto disso. Eu acredito em bons sentimentos, e nem por isso vou me basear em ódio ou algo do tipo para fazer outra pessoa acreditar. Isso é algo que se sente, e isso não se força.

*E para terminar, não considero aquela idiotice humana que comentei algo ruim. Acredito que qualquer erro é um aprendizado, QUALQUER UM. E a cada momento aprendemos com algo. Já o egocentrismo é algo ruim, mas que pode ser controlado. Algo que faz parte de nós e não pode ser arrancado, mas pode ser diminuído e bastante. E é justamente por isso que eu ainda acredito nas pessoas, e que cada uma tem alguma célula de amor só esperando confiança do próprio corpo e mente que habita. E mesmo com tanto ódio, rancor, tristeza pelo mundo, eu acredito que todos têm essa célula e ela pode vir à tona a qualquer instante, e espero que seja em várias pessoas. É daí que surge a mudança do mundo: dos bons sentimentos.

E bom, eu acredito no amor. E é isso. Não sei o que dizer, ah.

The Unwinding Cable Car

sexta-feira, 30 de abril de 2010

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"What makes us who we are?
O que nos faz quem somos?
Eyes? Hair? Race? Sex?
Olhos? Cabelo? Raça? Sexo?
Who will you... love?
Quem você vai... amar?
Who will you... trust?
Quem você vai... confiar
Where is home?
Onde fica nosso lar?
What hardships will you face?
Que privações você vai enfrentar?
What hardships will you overcome?
Que privações você vai vencer?
What makes you happy?
O que te faz feliz?
What are your passions?
Quais são suas paixões?
If you could... do it all over again... what would you change?
Se você pudesse... fazer tudo de novo... o que você mudaria?
Relationships? Choices? Direction?
Relacionamentos? Escolhas? Direção?
What experience would you relive?
Que experiência você reviveria?
What will you... achieve?
O que você vai... alcançar?
What will you... be remembered for?
Pelo que você vai... ser lembrado?

Don't drop your arms.
Não desista."

Eu estive pensando em como as pessoas seriam um pouco melhores se fossem mais reflexivas em relação a cada ser humano, ao nosso redor, ao mundo, à vida, à sociedade. À sua vida. Se fossem menos superficiais e olhassem mais profundamente para as outras coisas que as cercam.
O futuro é assim tão importante para nos esquecermos do presente? E o passado, é tão importante assim? O que estamos fazendo nesse momento? O que estamos fazendo da nossa vida? Fazemos diferença para alguém? Alguém faz diferença na nossa vida?

A música: The Unwinding Cable Car, do Cities, terceiro álbum da banda Anberlin. Na verdade, é mais que uma música, é um aprendizado a partir do momento em que se lê atentamente cada frase e se entende cada palavra selecionada para a letra dessa música.
Em seguida, um trecho de um texto que fala sobre a canção de um modo geral e a sua composição.

Funcionando como o segundo single do álbum, essa música é, talvez, o oposto de Godspeed*. É reconfortante, animadora, um tapinha agradável nas costas. Foi uma escolha intrigante para single — eu acho que algumas outras músicas do álbum poderiam ter tido uma chance melhor de ser um estouro (Adelaide, Hello Alone), mas talvez a banda não estivesse pretendendo isso. Apesar dessa música não estar na mesma essência das outras de "Cities", eu acho que é difícil não vê-la como seu centro, como o coração do álbum. Como você vai ler abaixo, ela contém outro dos temas mais importantes do CD, é inegavelmente um farol de esperança em meio a um punhado de números não tão esperançosos. (...)

Stephen* diz: "É sobre alguém que olhava tanto para o futuro que nunca estava satisfeito no presente. Nunca. É como se algo de bom fosse acontecer no futuro, mas a vida não é satisfatória nesse segundo. E isso sempre foi um choque para mim, como 'por que você não pode viver no aqui, no hoje e no agora?'. (...) 'Por que você ainda está rezando pelo futuro, por que você está tão preocupado e interessado com isso que você não aproveita esse momento concedido?'. Olhe para tudo o que aconteceu, conte todas as suas bênçãos. Ficam tão presos no futuro que nunca viram a vida sob uma perspectiva e nunca a estudaram."

"Um dos temas do disco é 'eu conduzirei você pela escuridão', porque tem que haver aqueles momentos de solidão, quando a vida machuca e há dor, há sofrimento, porque eu acho que esses momentos nos transformam no que somos. Explore o lado mais profundo, mais escuro de você mesmo, de modo que você possa encontrar a esperança, a salvação, encontrar a vida em toda a sua beleza. Mas você tem que passar por esses momentos difíceis."

"Henri Nouwen disse uma vez que a solidão é a fornalha da transformação, e eu estava lendo Blaise Pascal ontem e em um de seus trechos, ele estava dizendo que não há nada na vida que não possa ser descoberto com você, um quarto vazio e uma cadeira apenas. Para mim, era como se as pessoas nunca tivessem sentado nessa cadeira, nunca houve essa fornalha para eles, era sempre o futuro. Então eu estava tentando encorajá-los e dizer 'escute, você é brilhante, você está ótimo, você é um ser humano maravilhoso, pare de olhar no futuro para descobrir que a vida é tão bela neste momento."

"Na teoria de sombras (do psicólogo Carl Jung), ele estava falando sobre como você tem que explorar esse lado negro para qualquer tipo de criatividade surgir, seja arte, música, ciência ou qualquer outra coisa (...). Para mim, eu sei que é nesses momentos e nos momentos mais sombrios da minha vida que eu encontrei quem eu realmente sou, o que me fez, e assim, eu não sei, espero que todos explorem esses lados."

*Godspeed foi o primeiro single do disco. 
*Stephen Christian, vocalista da banda.


Acredito (espero, na verdade) que isso convide cada um que ler esse texto a pensar "quem você vai amar? Quem você vai confiar? O que faz você feliz? Se você pudesse fazer tudo de novo, o que você mudaria?" e várias outras perguntas. Porque viver é mais do que acordar de manhã, ir para o trabalho e ver o mundo em constante movimento ao seu redor. Fazer parte desse movimento, questionar e se perguntar coisas sobre a vida também faz parte dela.

Don't drop your arms.


Clipe "The Unwinding Cable Car"

Crianças

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O idoso depositou a xícara de chá sobre o pires que se encontrava sobre a mesinha no centro da sala. Acomodou-se em sua poltrona. O recém-formado médico olhou atentamente cada movimento inocente do velho homem.

— Aquelas crianças, meu jovem doutor.
— Quais crianças, senhor?
— As que perderam o brilho do olhar.

O jovem ajeitou um fio de cabelo que insistia em cair sobre seus olhos. Pensou, mas não conseguiu entender o que dizia seu companheiro de conversa.

— Não compreendo.
— Meu caro doutor, vou lhe dizer: todas as crianças deste mundo tiveram o brilho arrancado pela vida e pelo tempo. Não deixe isto acontecer, está bem? Não com a sua criança.
— Não tenho filhos, senhor...

O velho, que bebia mais um tanto de chá, separou a xícara de seus lábios rapidamente e soltou uma gargalhada.

— Acho que você ainda não entendeu, meu rapaz... — o velho dizia olhando para a fumaça que saía tímida do recipiente — Olhe seu reflexo no espelho. Visualize o olhar das crianças caídas dentro do seu próprio olhar e responsabilize-se por revivê-las. Não se acomode diante desta epidemia que vem destruindo os brilhos ao redor do mundo e ao longo da história da humanidade.

Nunca deixe o pouco da criança dentro de você que ainda te ilumina morrer.

Sobre o opaco

terça-feira, 27 de abril de 2010

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*Batimentos cardíacos uivam contra sua própria existência,
Valores vão contra toda aquela sua essência
Que pensava ser cética em relação à sua permanência.

*Agora não bastava apenas ter encontrado a verdade,
Mas também encontrou em sua profunda intimidade
Pensamentos que a levaram a crer que achara sua identidade.

*Passeava pelas noites em busca de sua descoberta,
Mas passava sozinha por entre as ruelas desertas,
Já que não serviam como companhia aquelas belas e feras.

*E em corações dilacerados pelo chão do quarto,
Pegou uma caneta e escreveu sobre o opaco
Que de vez em quando atendia por "passado".

*Tendo abaixado a cabeça para as frases,
Percebeu que só sabia falar de já passadas fases,
E que era desta forma que acertava os encaixes.

*Não sabe rimar, mas rima;
Não sabe escrever, mas escreve;
Não sabe sentir, mas sente.

*Por esta teimosia
É que ela continua viva.

É o que surge a partir de pensamentos aleatórios no meio da noite e uma tarde completamente sozinha com uma caneta e um violão.

A metáfora do chiado da TV

sábado, 17 de abril de 2010

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Eu via pessoas trocando de canal a cada momento, e eu me perguntava porque era tão difícil para elas achar o certo. Eu criava teorias na minha cabeça de criança para tentar entender porque ninguém ficava satisfeito com o primeiro canal que aparecia ao ligarem a televisão, mas eu não conseguia entender...

Então eu cresci. Liguei minha TV.

Talvez eu tivesse à minha disposição vários canais que eu devesse olhar. Mas eu não queria. Quando me vi, estava admirada em assistir a um canal que eu jamais pensei que viria a ser do meu interesse. O sinal não era muito bom, mas não me atrevi a mexer na antena para ver no que dava. Eu fiquei feliz ao ouvir aquele chiado. Eu fiquei feliz... Ah, eu fiquei. Não queria admitir, mas acabei aceitando comigo mesma.

— Esse chiado não está certo... Troque de canal, esse barulho deveria ser irritante pra você.
— E se eu gostar do chiado? E se eu não quiser trocar de canal mesmo que meus ouvidos fiquem incomodados?
— Você não faz sentido.
— Vocês é que não sabem viver.

Eu prestava atenção ao chiado e ao chuvisco cinza da tela. Talvez eu me importasse mais do que eu deveria. Eu gostava até. Então eu pensava comigo mesma se não deveria segurar firmemente o controle da televisão, tomar coragem e trocar de canal, mas eu não queria.

E sabem aquelas teorias que eu formulava na minha cabeça? Eu ainda formulo algumas para tentar entender porque as pessoas insistem em querer mudar sempre o canal, a posição da antena ou até a televisão. Acho que eu vou demorar para entender as pessoas.

Só sei que eu ainda fico bem ouvindo o chiado do meu canal preferido.

A casa, a porta, o capacho

quarta-feira, 14 de abril de 2010

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Olhei para o relógio — 7 da manhã. Você poderia dizer que eu cheguei cedo, e, de fato, cheguei. Mas eu não parecia me importar, mas já sabia que você ia. Eu também sabia que você não poderia me atender ainda, não naquele horário. Mas eu não me importei, subi os pequenos degraus, me deparei com a sua porta. Eu tinha medo, mas tentei parecer decidida no que fazia.


Talvez não fosse muito tranquilizador o fato de que em alguns segundos eu tocaria a campainha e esperaria você abrir a porta. Talvez não fosse muito animador o fato de que você não poderia me atender ainda. Ignorei os seus vizinhos que saíam para trabalhar enquanto me diziam que eu não deveria ter chegado tão cedo. Eu ignorei tudo, ainda ignoro.


O capacho que se encontrava em frente à sua porta não era dos mais convidativos, mas eu não me importei. O capacho não ia me servir de nada, talvez servisse para as pessoas que prestavam atenção nele. Você sempre usou aquele capacho lá, e nunca fez questão de que gostassem dele. Nem eu fiz questão de adorá-lo, até porque, como eu disse, o capacho não me importava muito.


Eu esperei e esperei lá fora. Os raios de sol daquela manhã atingiam meu rosto e me revigoravam, mesmo quando eu sabia que eu teria que esperar mais do que eu queria para que você abrisse a porta. Você estava lá, mas eu sabia que não podia me atender.


Então eu ouvi sua voz gritando lá de dentro que talvez eu devesse ir embora ao invés de esperar horas e horas para que você pudesse me atender. Eu assenti. Cheguei à conclusão que não valeria a pena esperar lá em pé enquanto você não poderia aparecer de frente pra mim. Então eu voltei pra minha casa do outro lado da rua, mas continuei olhando da minha janela para a sua em busca de um único sinal de que você estava abrindo a porta.


E apesar de não saber quando eu vou poder voltar a tentar te fazer uma visita, eu jurei a mim mesma que olharia no relógio cada segundo que passasse para que eu pudesse voltar à sua casa no momento mais adequado possível.

A jovem e o velho

quinta-feira, 8 de abril de 2010

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Tu corres no meio dessas ruas desertas no meio da madrugada. Teus passos são pesados e quando atingem o chão, fazem a água das poças te molhar. Tu te refoges em teu lar esperando que a jovem e robusta felicidade não bata à tua porta. Tu pensas que precisa fugir de tudo o quê te faz sofrer, mas te enganas quando acha que a jovem que te procura quer te arruinar. O quê te destrói é o medo, e ele está te corroendo, criança. Ele te corrói com tudo o quê traz consigo para te impedir de viver.
— Medo de quê?
Medo de ser feliz. Medo é a erva daninha presente em teu coração que só faz com que tudo de bom que tu já viveste apodreça. Medo é o quê te faz pensar que aquela jovem chamada felicidade que corre atrás de ti é que corrói o teu coração puro. Medo é o quê te ilude. E eu te digo: tu tens medo de ter medo, e isso faz este velho se enraizar em ti.
A jovem bate à tua porta e tu te preocupas mais em preparar o calabouço para ela do que recebê-la com alegria. Mesmo que tentasses lembrar de como é receber a felicidade com um sorriso no rosto, não conseguirias, porque é essa tua visita que te permite sorrir de modo sincero.
E eu te digo também: tranque o velho e rabugento medo sem pão nem água no calabouço mais longe de teu coração e recebe a felicidade de braços abertos. O medo tem idade avançada e está frágil, tu podes combatê-lo pelo menos dentro do teu lar.


Sorri e aproveita a estadia da bela jovem.

Andorinhas do amor verdadeiro

terça-feira, 6 de abril de 2010

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*''Andorinhas do amor verdadeiro''

*Ela nasceu, cresceu, viveu e se deparou com os desafios da vida. Lutou, caiu e levantou. Conseguiu bater as asas pela primeira vez na vida, e decidiu levantar voo, para buscar novos ares, novos sabores..

*Quis levantar em direção ao desconhecido, ao novo. Lutou contra todas as adversidades e foi em busca de um sonho: descobrir o que era sentir.

*Em uma noite nublada, finalmente encontrou a face do amor verdadeiro, e mesmo com toda conturbação decidiu parar e pensar em tudo. Queria que alguma coisa fizesse sentido, mas ela não sabia que algumas coisas na vida simplesmente não tem explicação, e ninguém precisa saber. Ninguém precisa entender o porque de ser uma andorinha, basta apenas ser..e fazer disso o melhor possível no mundo para que todos sintam a presença e a beleza de seu bater de asas por ai. O céu nublado se abriu, e ela chorou por finalmente entender o porque de sua existência. Desejava não acabar com aquele momento nunca.

*Chegou ao topo do mundo, respirou o ar fresco, decidiu sentir e viver para sentir..colocando o coração em primeiro lugar, tendo sua pureza e sensibilidade como principais características para o resto de sua vida. A chuva lavou suas lágrimas, e ela voltou para sua longa jornada.

*A andorinha sempre soube que um dia iria ter que voltar...



— O que tu faz quando abraça alguém com todas as forças pra não deixar alguém ir, mas ela se vai do mesmo jeito?
— Escuto City and Colour. Partidas são inevitáveis. ''A andorinha sempre soube que um dia iria ter que voltar pra casa...''.
— A gente só não pode cortar as asas da andorinha pra ela não poder mais voar.
— A andorinha deve voar pra mostrar ao mundo a beleza de seu bater de asas..não podemos impedir ela de sonhar, sonhar com ares mais puros e lugares mais calmos..
 http://www.fotolog.com.br/thunderwaves , o guri do coração puro.

Egoísta, clichê e dislexo

domingo, 4 de abril de 2010

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Eu te vi, e eu também te olhei;

Eu te senti, tu me sentiste.

Eu achei que tinha te sentido, e eu tenho certeza que eu senti;

Eu achei que tu tinhas me sentido, e eu tenho dúvidas quanto a isso.

Eu corri em tua direção quando tu já vinhas caminhando;

Eu abri meus braços quando tu já me abraçavas -

Eu te abracei, eu só não quis te soltar;

Eu continuei te abraçando, mas tu tiveste que ir.

Eu segui um caminho diferente do teu, mas paralelo.

Eu continuo esticando meus braços tentando te alcançar enquanto tu não vês;

Eu escondo-os quando tu olhas para mim.

Eu já não me lembro como é andar sozinha novamente.

Eu, sempre "eu". Sempre "tu". Sempre e nunca.

Eu.

Espaço

sexta-feira, 2 de abril de 2010

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O homem perfeito, eu sonhava com ele. Imaginava suas qualidades, seus defeitos. Tudo aquilo desabou. Eu até hoje não sei se foi bom ou não.
Foi quando eu me vi saindo de casa, me arriscando no desconhecido. Desisti do que eu conhecia, pra me atirar de corpo e alma no que eu nem ao menos sabia como lidar, mas me encantava. Eu não sei se fiz certo ou se fiz errado, e não me importa muito. Mesmo que tenha sido o errado, foi o errado certo.
E então, eu que sempre me apeguei ao previsível, não consegui me soltar do que eu jamais imaginei que ia querer por perto. E vai ver é justamente por eu não entender até hoje o que aconteceu que eu seja tão hipnotizada com tudo.

Foi quando eu entreguei a chave de tudo o que eu tinha pra um total anti-herói.

Você é o encontro, eu sou o desencontro. Ou o contrário. Tanto faz. Só precisamos seguir a regra de que somos totalmente diferentes para nos completarmos.

Com isso, só quero pedir para que de alguma forma eu não me perca mais no espaço. Só quero saber o caminho certo, ou se vale seguir pelo errado. Quero saber se devo agir ou deixar o tempo fazer isso. Eu quero o controle da minha vida de volta, que eu tinha até conhecer você.

Eu minto quando digo pra mim mesma que não é nada além de saudade. Eu minto quando digo que eu consigo aguentar só porque sempre aguentei. Eu sou egoísta e quero a sua chave, mas também me contradigo quando falo que quero sua felicidade. Eu sei que não dá mais para querer os dois. Mas eu sou egoísta.

Eu deixei minha alma contigo, e não tenho coragem de pedir de volta. Não tenho coragem nem vontade.



Você não é nada do que eu queria antes, mas é tudo o que eu quero daqui pra frente.

Eu e eu conversando sobre saudade

quinta-feira, 18 de março de 2010

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— Você sente saudades.
— Sinto. Mas não espalhe por aí. Não me deixe espalhar.
— Você sempre tenta parecer tão forte.
— Só eu mesma não me acho forte.
— Por isso eu não te acho.
Suspirei. Me encontrei num estado que eu estava me escondendo, e queria que meu interior também se escondesse.

— Não quero ter saudades. Quero que você se convença de que é forte pra que eu também me convença. Daí eu posso convencer as pessoas.
— Por que quer tanto parecer forte para as pessoas?
— Sinceramente, não quero parecer forte, só não quero parecer fraca.
— E você acha que sendo forte, não vai sentir saudades?
— Eu esperava que as saudades ficassem mais fracas que eu, só isso.
— Por que saudades te incomodam tanto? 
— Porque saudade é o meu passado querendo se tornar o meu presente e o futuro. E a minha vida, quem controla sou eu, não as saudades.
— Entendi...
— Vai me deixar não ser tão fraca e finalmente poder controlar as coisas?
— Eu bem queria... Mas desculpe, eu só sou a parte que sabe tudo de você — e você sente saudades.
— Pensei que você me ajudaria a controlar esse passado.
— Eu já te ajudei no possível e não adiantou muito.
— Então com quem eu falo?
— Com a pessoa que é seu passado e você quer que se torne seu presente de novo.



Fugindo do preto e do branco

segunda-feira, 15 de março de 2010

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Eu me escondo. Escondo-me dos lugares, escondo-me dos encontros, escondo-me nos desencontros. Me escondo de você, e conseqüentemente escondo-me em mim. Escondo-me de mim. Me escondo do preto, e tenho medo do branco.

Me escondo de tudo.

Entro em fuga de algo desnecessário, apenas pela voz que diz para correr.

— Ainda há tempo para correr... Você tem uma vida toda para fugir. Não se canse agora.

Por que? Eu acabei de desistir do meu passado para garantir meu futuro! Mas continuo fugindo. Do quê? Eu não sei. Para onde? Sei menos ainda. É só uma corrida para me manter segura, pena que não sei o quê pode vir a me machucar. E de novo, eu me escondo do quê eu nem sei o quê é.

— Algo errado?

Não, nada errado. Só penso muito, talvez mais do quê eu deveria; ou talvez eu só me esconda em pensamentos inacabados. Vai saber... Acho que eu ando me escondendo da razão também.

Sobre painéis, pincéis, cores e mãos amigas

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

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Humanos não vivem sem carinho. Isso eu considero um fato. Já ouvi várias histórias de pessoas que começaram a ter problemas psicológicos por não ter alguém do seu lado. Como Lucas Silveira já disse (inclusive no post que eu "rebloguei" há algum tempo atrás), "nenhum ser humano é capaz de viver sem afeto. Se você acha que sim, pode fechar os olhos, pois você já morreu". Humanos nasceram para viver em conjunto e, principalmente, com afeto.
Como já mencionei algumas vezes antes, todos nós estamos aqui com um objetivo. Acredito que esse objetivo é ser feliz, e para isso, tentar realizar os nossos sonhos. Mas para que isso ocorra, é preciso amor. Não só amor a um namorado, amor aos pais... Amor a tudo. Não "amor" no sentido restrito da palavra - já que todos acham que amor é só o que pai/filho ou esposa/marido sentem -, mas "amor" no seu sentido mais amplo. Amor à vida, amor ao simples fato de termos uma vida para aproveitarmos, amor ao fato de que podemos ser felizes.
Mas convenhamos... a vida não fica melhor quando você olha para uma pessoa, pára e pensa que tem algo de diferente em você? Quando você pensa "tudo bem, o que eu sinto por ele é diferente de qualquer coisa"? Como se nossa vida fosse um painel, nossos sonhos fossem os pincéis, nossos amigos, as cores e essa pessoa especial fosse aquela mão que, quando você não sabe direito como pintar, segura a sua mão e te ajuda a formar um belo quadro. Vai do egoísmo de cada um aceitar ou não essa ajuda.
Particularmente, eu tenho conseguido pintar a minha trajetória, mas é claro que eu sinto falta de uma mão que me ajude a pintar sem medo do que pode acontecer, e que me faça rezar para que ela não me solte, pois parece que eu não vou mais saber fazer nem um bonequinho de palitos sem ela. Eu não acho que seja impossível viver sem essa mão, mas depois de um tempo, você perde a vontade de pintar sozinho. Cabe a cada pessoa não desistir de procurar outra para ajudá-la, porque algum dia a mão que encontraremos vai deixar de ser apenas uma parte do corpo pra se transformar em uma pessoa completa e que te completa. É quando vamos perceber que não precisamos procurar mais uma mão, pois já achamos a pessoa.

It's a fairy tale. Or not.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

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5 da madrugada. Ela revirava-se na cama, olhava para a janela. Buscava um apoio na imensidão do céu, e nenhuma estrela parecia se importar com ela. Ora, todas tão distantes, não pareciam se importar em iluminar sua visão. Pensara em planos fazia tanto tempo - e pensara em tantos -, que agora já não sabia qual destes escolher, ou qual seria mais certo. Todas as noites sonhava correndo em uma estradinha de terra cheia de pedras que a faziam tropeçar por diversas vezes. O sol escaldante sobre sua cabeça a fazia delirar e pensar em desistir de encontrar o seu algo no final. As poucas árvores vivas na beira da estradinha não a forneciam apelo diante do futuro incerto. Sentia-se sozinha. Então acordava com a sua própria imagem da desistência do futuro infernizando sua mente. Logo às 5 da manhã. Era tão cruel, nenhum de seus dias começava sem uma dúvida sobre si mesma e sobre o que deveria fazer para alcançar tudo que desejava. Jogava seu próprio corpo ao mundo como se fosse uma boneca, esperando apenas o que iam lhe dizer quando vissem uma faísca de esperança em seu olhar. Seu brilho no olhar já foi tão reprimido que desaparecera.
Então ela finalmente parou. Parou de ouvir o mundo, parou de interagir com o mundo, parou de tentar ser parte do mundo durante alguns instantes e se sentiu sem alma com toda a situação em que se encontrou. Apenas perdera o brilho no olhar porque não enxergava mais o seu maior objetivo. Percebeu naquele momento que pensara tanto nos meios que esquecera o final. Qual seria o final? Qual o final que ela desejava? Qual o final que não desejava?
Ela voltou a enxergar, sim, ela voltou. Voltou a viver, voltou a sonhar. Voltou a enxergar os seus sonhos de madrugada e não esquecê-los logo na manhã do mesmo dia. Percebeu que o erro fora dela; ter deixado terceiros a tornarem uma cega diante de seu próprio futuro. Eles não precisavam opinar em nada, a menos que ela pedisse.
Ela não queria viver em um mundo de fadas como todos achavam, era tudo um esboço do que queria que se transformasse em realidade. Ela não estava tentando fugir do mundo, mas sim torná-lo melhor para ela mesma.
Então, no final do dia, deitou-se e caiu rapidamente no sono. Sonhou coisas boas que a deixaram tranqüila. Teve certeza do que queria, e não parou de sonhar quando acordou; ao contrário, tranformou o sonho daquela madrugada em apoio pra o seu sonho de vida ideal.

whystopdreamingwhenyouwakeup?


foto encontrada em Let's Inspire - http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=14230211016759105396

2009-2010

sábado, 2 de janeiro de 2010

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Tantas coisas boas; outras tão ruins. 2009 para mim foi assim - um misto de tudo e mais um pouco. Chorei muito, mas muito mesmo, mas também ri. Fui feliz na medida do possível e fui triste na época em que eu precisei, porque só assim eu pude crescer um pouco do que eu queria.

Digamos que eu senti tudo ao extremo. Ou muita alegria, ou muita tristeza. Eu quase nunca chegava a um meio termo disso e acabava sentindo duas coisas contrastantes, quando eu chegava, eu pensava: que coisa mais chata. Duas coisas totalmente opostas se anulavam de tal maneira para mim que eu não sentia nada no final. Não sentia que eu podia tornar aquele dia um aprendizado da mesma forma dos outros dias justamente por não sentir nada ao extremo. Eu sentia apenas que eu estava existindo, e não vivendo. Não que eu seja o tipo de pessoa que aproveita a vida ao máximo por aí e essas coisas, mas eu vivo. Vivo na medida em que eu fico satisfeita com isso e sinto que eu posso evoluir a partir daquele momento.

Mas sabe, eu evolui. Talvez para outra pessoa eu ainda pareça a mesma criança que depende dos outros, coisa que sempre fui. Mas eu vejo o mundo totalmente diferente do que eu vejo há exatamente um ano atrás. E eu fico satisfeita porque é justamente o que eu quero a cada ano que passa: crescer e ampliar minha visão do mundo. É assim que se deve viver.

E, bom, é um novo ano.

Sabe, ano novo não é a única data em que podemos recomeçar. Pode-se recomeçar qualquer dia de nossa escolha. Mas é bem mais fácil quando todos se propõem a recomeçar também, você não se sente sozinho nisso.

E com isso, eu pretendo mudar também. Como eu já devo ter dito, eu gosto de mudar. Sempre procuro o melhor que eu posso fazer para mudar para melhor para com o mundo e para comigo mesma. Por que, pensando bem, qual a graça de ver o mundo se movimentando e você continuar o mesmo? Vale a pena viver satisfeito com os próprios defeitos? A resposta é não. Não vale a pena. Estamos aqui para sermos felizes. Mas também para buscar um estado onde fiquemos bem. E é isso que movimenta a vida, movimenta o mundo, movimenta as pessoas, movimenta os sonhos - essa busca incessante. Não é questão de buscar ser perfeito, porque não existe perfeição. Perfeição e imperfeição são pontos de vista apenas. A questão é se sentir bem, e ser agradável a você mesmo. Saber o objetivo que cada um de nós deve ter. É algo grande, que não pode ser explicado, apenas se pode sentir.

Ano novo é a época de se refrescar com novas perspectivas, novos objetivos que contornam o objetivo maior. Não prometa mudar e esquecer de tudo depois. Se quer mudar, você deve achar que é para o seu próprio bem; se não achar de verdade, você vai esquecer. Quantas vezes você parou para pensar se estava caminhando da maneira certa, se estava agindo do modo correto? Todos nós deveríamos pensar nisso todos os dias, não só no ano novo. Não custa nada.

E com isso, eu começo mais um ano com alegria, tristeza, saudade (muita), amor. Espero que 2010 seja tão bom ou até melhor quanto 2009. Quero viver da mesma maneira que vivi o ano passado, quero viver extremos, quero crescer, quero fazer a diferença na vida de alguém, quero pensar todo dia no que eu fiz e no que eu posso melhorar, quero sonhar. Quero viver de acordo com os meus valores e os adequando a mim a cada dia.

Quero viver, é isso. Feliz 2010.