— E por que você corria pelos corredores até achar o armazém?
— Eu estava seguindo uma pessoa.
— Por que?
— Porque ela sorria, e eu segui seu sorriso.
— E então?
— Eu cheguei ao armazém e encontrei a pessoa lá. Ainda sorria, mas não com o mesmo conforto. Parecia preocupada. Sentou-se no chão empoeirado, e eu copiei seus movimentos. Olhei fixamente até obter alguma resposta, mas só via um rosto com um leve meio-sorriso, com algumas rugas de preocupação, como se algo fosse acontecer. Eu puxei conversa, e deixei um meio-sorriso se criar no meu rosto também, mesmo que eu estivesse com um pouco de medo do lugar. Alguns segundos depois, eu escutei um barulho. Imediatamente, não vi mais o sorriso do rosto de quem eu havia seguido — ao contrário, sua felicidade deu lugar à preocupação. Então apareceu um homem na entrada do armazém dizendo que eu tinha que ir.
— E você foi?
— Fui.
— Por que?
— Não sei, eu só fui. Mas não queria ir. Eu fui como se fosse uma obrigação.
— E então?
— Eu fui até a entrada, olhei para o homem. Uma angústia possuiu meu peito e eu não olhei para trás quando comecei a correr pelos corredores de volta. Eu ignorei completamente a luz confortadora deles e corri chorando até que eu saísse daquele lugar. Então, eu cheguei à uma rua com uma espécie de praça em frente, e estava deserta. Eu me sentia com medo, mas não sabia porque.
— E depois? O que houve?
— Eu acordei do sonho.
— Só isso?!
— Não. Eu também percebi que tinha que fazer algo.
