Mostrando postagens com marcador fuga. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fuga. Mostrar todas as postagens

'Dismantle.Repair.' era a trilha sonora

sexta-feira, 9 de julho de 2010

1 comentários




— Eram vários corredores, sabe? Bem iluminados, tapetes vermelhos, quadros. Eram corredores curvos como em um universo paralelo, eu acho. Uma das portas brancas dava acesso a um armazém velho, e só se enxergava lá dentro por causa de uns feixes de luz dos buracos do teto. Foi uma mudança brusca dos corredores para o armazém.

— E por que você corria pelos corredores até achar o armazém?

— Eu estava seguindo uma pessoa.

— Por que?

— Porque ela sorria, e eu segui seu sorriso.

— E então?

— Eu cheguei ao armazém e encontrei a pessoa lá. Ainda sorria, mas não com o mesmo conforto. Parecia preocupada. Sentou-se no chão empoeirado, e eu copiei seus movimentos. Olhei fixamente até obter alguma resposta, mas só via um rosto com um leve meio-sorriso, com algumas rugas de preocupação, como se algo fosse acontecer. Eu puxei conversa, e deixei um meio-sorriso se criar no meu rosto também, mesmo que eu estivesse com um pouco de medo do lugar. Alguns segundos depois, eu escutei um barulho. Imediatamente, não vi mais o sorriso do rosto de quem eu havia seguido — ao contrário, sua felicidade deu lugar à preocupação. Então apareceu um homem na entrada do armazém dizendo que eu tinha que ir.

— E você foi?

— Fui.

— Por que?

— Não sei, eu só fui. Mas não queria ir. Eu fui como se fosse uma obrigação.

— E então?

— Eu fui até a entrada, olhei para o homem. Uma angústia possuiu meu peito e eu não olhei para trás quando comecei a correr pelos corredores de volta. Eu ignorei completamente a luz confortadora deles e corri chorando até que eu saísse daquele lugar. Então, eu cheguei à uma rua com uma espécie de praça em frente, e estava deserta. Eu me sentia com medo, mas não sabia porque.

— E depois? O que houve?

— Eu acordei do sonho.

— Só isso?!

— Não. Eu também percebi que tinha que fazer algo.

A jovem e o velho

quinta-feira, 8 de abril de 2010

0 comentários
Tu corres no meio dessas ruas desertas no meio da madrugada. Teus passos são pesados e quando atingem o chão, fazem a água das poças te molhar. Tu te refoges em teu lar esperando que a jovem e robusta felicidade não bata à tua porta. Tu pensas que precisa fugir de tudo o quê te faz sofrer, mas te enganas quando acha que a jovem que te procura quer te arruinar. O quê te destrói é o medo, e ele está te corroendo, criança. Ele te corrói com tudo o quê traz consigo para te impedir de viver.
— Medo de quê?
Medo de ser feliz. Medo é a erva daninha presente em teu coração que só faz com que tudo de bom que tu já viveste apodreça. Medo é o quê te faz pensar que aquela jovem chamada felicidade que corre atrás de ti é que corrói o teu coração puro. Medo é o quê te ilude. E eu te digo: tu tens medo de ter medo, e isso faz este velho se enraizar em ti.
A jovem bate à tua porta e tu te preocupas mais em preparar o calabouço para ela do que recebê-la com alegria. Mesmo que tentasses lembrar de como é receber a felicidade com um sorriso no rosto, não conseguirias, porque é essa tua visita que te permite sorrir de modo sincero.
E eu te digo também: tranque o velho e rabugento medo sem pão nem água no calabouço mais longe de teu coração e recebe a felicidade de braços abertos. O medo tem idade avançada e está frágil, tu podes combatê-lo pelo menos dentro do teu lar.


Sorri e aproveita a estadia da bela jovem.

Fugindo do preto e do branco

segunda-feira, 15 de março de 2010

0 comentários
Eu me escondo. Escondo-me dos lugares, escondo-me dos encontros, escondo-me nos desencontros. Me escondo de você, e conseqüentemente escondo-me em mim. Escondo-me de mim. Me escondo do preto, e tenho medo do branco.

Me escondo de tudo.

Entro em fuga de algo desnecessário, apenas pela voz que diz para correr.

— Ainda há tempo para correr... Você tem uma vida toda para fugir. Não se canse agora.

Por que? Eu acabei de desistir do meu passado para garantir meu futuro! Mas continuo fugindo. Do quê? Eu não sei. Para onde? Sei menos ainda. É só uma corrida para me manter segura, pena que não sei o quê pode vir a me machucar. E de novo, eu me escondo do quê eu nem sei o quê é.

— Algo errado?

Não, nada errado. Só penso muito, talvez mais do quê eu deveria; ou talvez eu só me esconda em pensamentos inacabados. Vai saber... Acho que eu ando me escondendo da razão também.