A jovem e o velho

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Tu corres no meio dessas ruas desertas no meio da madrugada. Teus passos são pesados e quando atingem o chão, fazem a água das poças te molhar. Tu te refoges em teu lar esperando que a jovem e robusta felicidade não bata à tua porta. Tu pensas que precisa fugir de tudo o quê te faz sofrer, mas te enganas quando acha que a jovem que te procura quer te arruinar. O quê te destrói é o medo, e ele está te corroendo, criança. Ele te corrói com tudo o quê traz consigo para te impedir de viver.
— Medo de quê?
Medo de ser feliz. Medo é a erva daninha presente em teu coração que só faz com que tudo de bom que tu já viveste apodreça. Medo é o quê te faz pensar que aquela jovem chamada felicidade que corre atrás de ti é que corrói o teu coração puro. Medo é o quê te ilude. E eu te digo: tu tens medo de ter medo, e isso faz este velho se enraizar em ti.
A jovem bate à tua porta e tu te preocupas mais em preparar o calabouço para ela do que recebê-la com alegria. Mesmo que tentasses lembrar de como é receber a felicidade com um sorriso no rosto, não conseguirias, porque é essa tua visita que te permite sorrir de modo sincero.
E eu te digo também: tranque o velho e rabugento medo sem pão nem água no calabouço mais longe de teu coração e recebe a felicidade de braços abertos. O medo tem idade avançada e está frágil, tu podes combatê-lo pelo menos dentro do teu lar.


Sorri e aproveita a estadia da bela jovem.

0 comentários:

Postar um comentário