Eu e eu conversando sobre saudade

quinta-feira, 18 de março de 2010

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Você sente saudades.
— Sinto. Mas não espalhe por aí. Não me deixe espalhar.
Você sempre tenta parecer tão forte.
— Só eu mesma não me acho forte.
— Por isso eu não te acho.
Suspirei. Me encontrei num estado que eu estava me escondendo, e queria que meu interior também se escondesse.

— Não quero ter saudades. Quero que você se convença de que é forte pra que eu também me convença. Daí eu posso convencer as pessoas.
Por que quer tanto parecer forte para as pessoas?
— Sinceramente, não quero parecer forte, só não quero parecer fraca.
E você acha que sendo forte, não vai sentir saudades?
— Eu esperava que as saudades ficassem mais fracas que eu, só isso.
Por que saudades te incomodam tanto? 
— Porque saudade é o meu passado querendo se tornar o meu presente e o futuro. E a minha vida, quem controla sou eu, não as saudades.
Entendi...
— Vai me deixar não ser tão fraca e finalmente poder controlar as coisas?
— Eu bem queria... Mas desculpe, eu só sou a parte que sabe tudo de você — e você sente saudades.
— Pensei que você me ajudaria a controlar esse passado.
Eu já te ajudei no possível e não adiantou muito.
— Então com quem eu falo?
Com a pessoa que é seu passado e você quer que se torne seu presente de novo.



Fugindo do preto e do branco

segunda-feira, 15 de março de 2010

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Eu me escondo. Escondo-me dos lugares, escondo-me dos encontros, escondo-me nos desencontros. Me escondo de você, e conseqüentemente escondo-me em mim. Escondo-me de mim. Me escondo do preto, e tenho medo do branco.

Me escondo de tudo.

Entro em fuga de algo desnecessário, apenas pela voz que diz para correr.

— Ainda há tempo para correr... Você tem uma vida toda para fugir. Não se canse agora.

Por que? Eu acabei de desistir do meu passado para garantir meu futuro! Mas continuo fugindo. Do quê? Eu não sei. Para onde? Sei menos ainda. É só uma corrida para me manter segura, pena que não sei o quê pode vir a me machucar. E de novo, eu me escondo do quê eu nem sei o quê é.

— Algo errado?

Não, nada errado. Só penso muito, talvez mais do quê eu deveria; ou talvez eu só me esconda em pensamentos inacabados. Vai saber... Acho que eu ando me escondendo da razão também.