The Unwinding Cable Car

sexta-feira, 30 de abril de 2010

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"What makes us who we are?
O que nos faz quem somos?
Eyes? Hair? Race? Sex?
Olhos? Cabelo? Raça? Sexo?
Who will you... love?
Quem você vai... amar?
Who will you... trust?
Quem você vai... confiar
Where is home?
Onde fica nosso lar?
What hardships will you face?
Que privações você vai enfrentar?
What hardships will you overcome?
Que privações você vai vencer?
What makes you happy?
O que te faz feliz?
What are your passions?
Quais são suas paixões?
If you could... do it all over again... what would you change?
Se você pudesse... fazer tudo de novo... o que você mudaria?
Relationships? Choices? Direction?
Relacionamentos? Escolhas? Direção?
What experience would you relive?
Que experiência você reviveria?
What will you... achieve?
O que você vai... alcançar?
What will you... be remembered for?
Pelo que você vai... ser lembrado?

Don't drop your arms.
Não desista."

Eu estive pensando em como as pessoas seriam um pouco melhores se fossem mais reflexivas em relação a cada ser humano, ao nosso redor, ao mundo, à vida, à sociedade. À sua vida. Se fossem menos superficiais e olhassem mais profundamente para as outras coisas que as cercam.
O futuro é assim tão importante para nos esquecermos do presente? E o passado, é tão importante assim? O que estamos fazendo nesse momento? O que estamos fazendo da nossa vida? Fazemos diferença para alguém? Alguém faz diferença na nossa vida?

A música: The Unwinding Cable Car, do Cities, terceiro álbum da banda Anberlin. Na verdade, é mais que uma música, é um aprendizado a partir do momento em que se lê atentamente cada frase e se entende cada palavra selecionada para a letra dessa música.
Em seguida, um trecho de um texto que fala sobre a canção de um modo geral e a sua composição.

Funcionando como o segundo single do álbum, essa música é, talvez, o oposto de Godspeed*. É reconfortante, animadora, um tapinha agradável nas costas. Foi uma escolha intrigante para single — eu acho que algumas outras músicas do álbum poderiam ter tido uma chance melhor de ser um estouro (Adelaide, Hello Alone), mas talvez a banda não estivesse pretendendo isso. Apesar dessa música não estar na mesma essência das outras de "Cities", eu acho que é difícil não vê-la como seu centro, como o coração do álbum. Como você vai ler abaixo, ela contém outro dos temas mais importantes do CD, é inegavelmente um farol de esperança em meio a um punhado de números não tão esperançosos. (...)

Stephen* diz: "É sobre alguém que olhava tanto para o futuro que nunca estava satisfeito no presente. Nunca. É como se algo de bom fosse acontecer no futuro, mas a vida não é satisfatória nesse segundo. E isso sempre foi um choque para mim, como 'por que você não pode viver no aqui, no hoje e no agora?'. (...) 'Por que você ainda está rezando pelo futuro, por que você está tão preocupado e interessado com isso que você não aproveita esse momento concedido?'. Olhe para tudo o que aconteceu, conte todas as suas bênçãos. Ficam tão presos no futuro que nunca viram a vida sob uma perspectiva e nunca a estudaram."

"Um dos temas do disco é 'eu conduzirei você pela escuridão', porque tem que haver aqueles momentos de solidão, quando a vida machuca e há dor, há sofrimento, porque eu acho que esses momentos nos transformam no que somos. Explore o lado mais profundo, mais escuro de você mesmo, de modo que você possa encontrar a esperança, a salvação, encontrar a vida em toda a sua beleza. Mas você tem que passar por esses momentos difíceis."

"Henri Nouwen disse uma vez que a solidão é a fornalha da transformação, e eu estava lendo Blaise Pascal ontem e em um de seus trechos, ele estava dizendo que não há nada na vida que não possa ser descoberto com você, um quarto vazio e uma cadeira apenas. Para mim, era como se as pessoas nunca tivessem sentado nessa cadeira, nunca houve essa fornalha para eles, era sempre o futuro. Então eu estava tentando encorajá-los e dizer 'escute, você é brilhante, você está ótimo, você é um ser humano maravilhoso, pare de olhar no futuro para descobrir que a vida é tão bela neste momento."

"Na teoria de sombras (do psicólogo Carl Jung), ele estava falando sobre como você tem que explorar esse lado negro para qualquer tipo de criatividade surgir, seja arte, música, ciência ou qualquer outra coisa (...). Para mim, eu sei que é nesses momentos e nos momentos mais sombrios da minha vida que eu encontrei quem eu realmente sou, o que me fez, e assim, eu não sei, espero que todos explorem esses lados."

*Godspeed foi o primeiro single do disco. 
*Stephen Christian, vocalista da banda.


Acredito (espero, na verdade) que isso convide cada um que ler esse texto a pensar "quem você vai amar? Quem você vai confiar? O que faz você feliz? Se você pudesse fazer tudo de novo, o que você mudaria?" e várias outras perguntas. Porque viver é mais do que acordar de manhã, ir para o trabalho e ver o mundo em constante movimento ao seu redor. Fazer parte desse movimento, questionar e se perguntar coisas sobre a vida também faz parte dela.

Don't drop your arms.


Clipe "The Unwinding Cable Car"

Crianças

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O idoso depositou a xícara de chá sobre o pires que se encontrava sobre a mesinha no centro da sala. Acomodou-se em sua poltrona. O recém-formado médico olhou atentamente cada movimento inocente do velho homem.

— Aquelas crianças, meu jovem doutor.
— Quais crianças, senhor?
— As que perderam o brilho do olhar.

O jovem ajeitou um fio de cabelo que insistia em cair sobre seus olhos. Pensou, mas não conseguiu entender o que dizia seu companheiro de conversa.

— Não compreendo.
— Meu caro doutor, vou lhe dizer: todas as crianças deste mundo tiveram o brilho arrancado pela vida e pelo tempo. Não deixe isto acontecer, está bem? Não com a sua criança.
— Não tenho filhos, senhor...

O velho, que bebia mais um tanto de chá, separou a xícara de seus lábios rapidamente e soltou uma gargalhada.

— Acho que você ainda não entendeu, meu rapaz... — o velho dizia olhando para a fumaça que saía tímida do recipiente — Olhe seu reflexo no espelho. Visualize o olhar das crianças caídas dentro do seu próprio olhar e responsabilize-se por revivê-las. Não se acomode diante desta epidemia que vem destruindo os brilhos ao redor do mundo e ao longo da história da humanidade.

Nunca deixe o pouco da criança dentro de você que ainda te ilumina morrer.

Sobre o opaco

terça-feira, 27 de abril de 2010

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*Batimentos cardíacos uivam contra sua própria existência,
Valores vão contra toda aquela sua essência
Que pensava ser cética em relação à sua permanência.

*Agora não bastava apenas ter encontrado a verdade,
Mas também encontrou em sua profunda intimidade
Pensamentos que a levaram a crer que achara sua identidade.

*Passeava pelas noites em busca de sua descoberta,
Mas passava sozinha por entre as ruelas desertas,
Já que não serviam como companhia aquelas belas e feras.

*E em corações dilacerados pelo chão do quarto,
Pegou uma caneta e escreveu sobre o opaco
Que de vez em quando atendia por "passado".

*Tendo abaixado a cabeça para as frases,
Percebeu que só sabia falar de já passadas fases,
E que era desta forma que acertava os encaixes.

*Não sabe rimar, mas rima;
Não sabe escrever, mas escreve;
Não sabe sentir, mas sente.

*Por esta teimosia
É que ela continua viva.

É o que surge a partir de pensamentos aleatórios no meio da noite e uma tarde completamente sozinha com uma caneta e um violão.

A metáfora do chiado da TV

sábado, 17 de abril de 2010

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Eu via pessoas trocando de canal a cada momento, e eu me perguntava porque era tão difícil para elas achar o certo. Eu criava teorias na minha cabeça de criança para tentar entender porque ninguém ficava satisfeito com o primeiro canal que aparecia ao ligarem a televisão, mas eu não conseguia entender...

Então eu cresci. Liguei minha TV.

Talvez eu tivesse à minha disposição vários canais que eu devesse olhar. Mas eu não queria. Quando me vi, estava admirada em assistir a um canal que eu jamais pensei que viria a ser do meu interesse. O sinal não era muito bom, mas não me atrevi a mexer na antena para ver no que dava. Eu fiquei feliz ao ouvir aquele chiado. Eu fiquei feliz... Ah, eu fiquei. Não queria admitir, mas acabei aceitando comigo mesma.

— Esse chiado não está certo... Troque de canal, esse barulho deveria ser irritante pra você.
— E se eu gostar do chiado? E se eu não quiser trocar de canal mesmo que meus ouvidos fiquem incomodados?
— Você não faz sentido.
— Vocês é que não sabem viver.

Eu prestava atenção ao chiado e ao chuvisco cinza da tela. Talvez eu me importasse mais do que eu deveria. Eu gostava até. Então eu pensava comigo mesma se não deveria segurar firmemente o controle da televisão, tomar coragem e trocar de canal, mas eu não queria.

E sabem aquelas teorias que eu formulava na minha cabeça? Eu ainda formulo algumas para tentar entender porque as pessoas insistem em querer mudar sempre o canal, a posição da antena ou até a televisão. Acho que eu vou demorar para entender as pessoas.

Só sei que eu ainda fico bem ouvindo o chiado do meu canal preferido.

A casa, a porta, o capacho

quarta-feira, 14 de abril de 2010

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Olhei para o relógio — 7 da manhã. Você poderia dizer que eu cheguei cedo, e, de fato, cheguei. Mas eu não parecia me importar, mas já sabia que você ia. Eu também sabia que você não poderia me atender ainda, não naquele horário. Mas eu não me importei, subi os pequenos degraus, me deparei com a sua porta. Eu tinha medo, mas tentei parecer decidida no que fazia.


Talvez não fosse muito tranquilizador o fato de que em alguns segundos eu tocaria a campainha e esperaria você abrir a porta. Talvez não fosse muito animador o fato de que você não poderia me atender ainda. Ignorei os seus vizinhos que saíam para trabalhar enquanto me diziam que eu não deveria ter chegado tão cedo. Eu ignorei tudo, ainda ignoro.


O capacho que se encontrava em frente à sua porta não era dos mais convidativos, mas eu não me importei. O capacho não ia me servir de nada, talvez servisse para as pessoas que prestavam atenção nele. Você sempre usou aquele capacho lá, e nunca fez questão de que gostassem dele. Nem eu fiz questão de adorá-lo, até porque, como eu disse, o capacho não me importava muito.


Eu esperei e esperei lá fora. Os raios de sol daquela manhã atingiam meu rosto e me revigoravam, mesmo quando eu sabia que eu teria que esperar mais do que eu queria para que você abrisse a porta. Você estava lá, mas eu sabia que não podia me atender.


Então eu ouvi sua voz gritando lá de dentro que talvez eu devesse ir embora ao invés de esperar horas e horas para que você pudesse me atender. Eu assenti. Cheguei à conclusão que não valeria a pena esperar lá em pé enquanto você não poderia aparecer de frente pra mim. Então eu voltei pra minha casa do outro lado da rua, mas continuei olhando da minha janela para a sua em busca de um único sinal de que você estava abrindo a porta.


E apesar de não saber quando eu vou poder voltar a tentar te fazer uma visita, eu jurei a mim mesma que olharia no relógio cada segundo que passasse para que eu pudesse voltar à sua casa no momento mais adequado possível.

A jovem e o velho

quinta-feira, 8 de abril de 2010

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Tu corres no meio dessas ruas desertas no meio da madrugada. Teus passos são pesados e quando atingem o chão, fazem a água das poças te molhar. Tu te refoges em teu lar esperando que a jovem e robusta felicidade não bata à tua porta. Tu pensas que precisa fugir de tudo o quê te faz sofrer, mas te enganas quando acha que a jovem que te procura quer te arruinar. O quê te destrói é o medo, e ele está te corroendo, criança. Ele te corrói com tudo o quê traz consigo para te impedir de viver.
— Medo de quê?
Medo de ser feliz. Medo é a erva daninha presente em teu coração que só faz com que tudo de bom que tu já viveste apodreça. Medo é o quê te faz pensar que aquela jovem chamada felicidade que corre atrás de ti é que corrói o teu coração puro. Medo é o quê te ilude. E eu te digo: tu tens medo de ter medo, e isso faz este velho se enraizar em ti.
A jovem bate à tua porta e tu te preocupas mais em preparar o calabouço para ela do que recebê-la com alegria. Mesmo que tentasses lembrar de como é receber a felicidade com um sorriso no rosto, não conseguirias, porque é essa tua visita que te permite sorrir de modo sincero.
E eu te digo também: tranque o velho e rabugento medo sem pão nem água no calabouço mais longe de teu coração e recebe a felicidade de braços abertos. O medo tem idade avançada e está frágil, tu podes combatê-lo pelo menos dentro do teu lar.


Sorri e aproveita a estadia da bela jovem.

Andorinhas do amor verdadeiro

terça-feira, 6 de abril de 2010

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*''Andorinhas do amor verdadeiro''

*Ela nasceu, cresceu, viveu e se deparou com os desafios da vida. Lutou, caiu e levantou. Conseguiu bater as asas pela primeira vez na vida, e decidiu levantar voo, para buscar novos ares, novos sabores..

*Quis levantar em direção ao desconhecido, ao novo. Lutou contra todas as adversidades e foi em busca de um sonho: descobrir o que era sentir.

*Em uma noite nublada, finalmente encontrou a face do amor verdadeiro, e mesmo com toda conturbação decidiu parar e pensar em tudo. Queria que alguma coisa fizesse sentido, mas ela não sabia que algumas coisas na vida simplesmente não tem explicação, e ninguém precisa saber. Ninguém precisa entender o porque de ser uma andorinha, basta apenas ser..e fazer disso o melhor possível no mundo para que todos sintam a presença e a beleza de seu bater de asas por ai. O céu nublado se abriu, e ela chorou por finalmente entender o porque de sua existência. Desejava não acabar com aquele momento nunca.

*Chegou ao topo do mundo, respirou o ar fresco, decidiu sentir e viver para sentir..colocando o coração em primeiro lugar, tendo sua pureza e sensibilidade como principais características para o resto de sua vida. A chuva lavou suas lágrimas, e ela voltou para sua longa jornada.

*A andorinha sempre soube que um dia iria ter que voltar...



— O que tu faz quando abraça alguém com todas as forças pra não deixar alguém ir, mas ela se vai do mesmo jeito?
— Escuto City and Colour. Partidas são inevitáveis. ''A andorinha sempre soube que um dia iria ter que voltar pra casa...''.
— A gente só não pode cortar as asas da andorinha pra ela não poder mais voar.
— A andorinha deve voar pra mostrar ao mundo a beleza de seu bater de asas..não podemos impedir ela de sonhar, sonhar com ares mais puros e lugares mais calmos..
 http://www.fotolog.com.br/thunderwaves , o guri do coração puro.

Egoísta, clichê e dislexo

domingo, 4 de abril de 2010

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Eu te vi, e eu também te olhei;

Eu te senti, tu me sentiste.

Eu achei que tinha te sentido, e eu tenho certeza que eu senti;

Eu achei que tu tinhas me sentido, e eu tenho dúvidas quanto a isso.

Eu corri em tua direção quando tu já vinhas caminhando;

Eu abri meus braços quando tu já me abraçavas -

Eu te abracei, eu só não quis te soltar;

Eu continuei te abraçando, mas tu tiveste que ir.

Eu segui um caminho diferente do teu, mas paralelo.

Eu continuo esticando meus braços tentando te alcançar enquanto tu não vês;

Eu escondo-os quando tu olhas para mim.

Eu já não me lembro como é andar sozinha novamente.

Eu, sempre "eu". Sempre "tu". Sempre e nunca.

Eu.

Espaço

sexta-feira, 2 de abril de 2010

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O homem perfeito, eu sonhava com ele. Imaginava suas qualidades, seus defeitos. Tudo aquilo desabou. Eu até hoje não sei se foi bom ou não.
Foi quando eu me vi saindo de casa, me arriscando no desconhecido. Desisti do que eu conhecia, pra me atirar de corpo e alma no que eu nem ao menos sabia como lidar, mas me encantava. Eu não sei se fiz certo ou se fiz errado, e não me importa muito. Mesmo que tenha sido o errado, foi o errado certo.
E então, eu que sempre me apeguei ao previsível, não consegui me soltar do que eu jamais imaginei que ia querer por perto. E vai ver é justamente por eu não entender até hoje o que aconteceu que eu seja tão hipnotizada com tudo.

Foi quando eu entreguei a chave de tudo o que eu tinha pra um total anti-herói.

Você é o encontro, eu sou o desencontro. Ou o contrário. Tanto faz. Só precisamos seguir a regra de que somos totalmente diferentes para nos completarmos.

Com isso, só quero pedir para que de alguma forma eu não me perca mais no espaço. Só quero saber o caminho certo, ou se vale seguir pelo errado. Quero saber se devo agir ou deixar o tempo fazer isso. Eu quero o controle da minha vida de volta, que eu tinha até conhecer você.

Eu minto quando digo pra mim mesma que não é nada além de saudade. Eu minto quando digo que eu consigo aguentar só porque sempre aguentei. Eu sou egoísta e quero a sua chave, mas também me contradigo quando falo que quero sua felicidade. Eu sei que não dá mais para querer os dois. Mas eu sou egoísta.

Eu deixei minha alma contigo, e não tenho coragem de pedir de volta. Não tenho coragem nem vontade.



Você não é nada do que eu queria antes, mas é tudo o que eu quero daqui pra frente.