Montanha-russa

sábado, 23 de junho de 2012

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Eu quero te fazer
Um chá de panela,
Desses pra beber
E se atirar da janela.

Tô com uns bêbados aqui no bar,
Esperando um vento do Santo.
Só me diz que tu precisa de um ar,
Um ar que tome mais um ano.

Joga umas pedrinhas no quintal,
daquelas da cor da esperança.
Não precisa nem de musical,
Não precisa nem de lembrança.


Segura minha mão que hoje é dia de montanha-russa.

Apartamento Fevereiro

domingo, 12 de fevereiro de 2012

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Reflexo da bolinha prateada
Joga a nostalgia sob o meu pé.
Seu olho vermelho cheio da raiva
Se aproveita de toda minha fé.

Telefone de barbante com velho ardor.
Vamos pro inferno por vulgarizar o amor
O meu velho travesseiro é o meu tear.
Mas o amor vai pro céu por nos vulgarizar,
Mas o amor vai pro céu por nos vulgarizar.

Quero te ensinar a dançar sob céu cinza,
Quero me ajoelhar sobre o seu isqueiro.
Eu tô na rua da Saudade, bem lá na esquina,
Número 9, apartamento fevereiro.



Minhas crianças 'tão na amarelinha,
Meus maridos 'tão no futebol,
Minhas mulheres 'tão na cozinha,
Meu amor 'tá lá no girassol.

O amor mais errado é meu.
O amor mais pecado é meu.
O amor mais amado é meu.
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Roteador

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

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²X1: "Eu nunca quis te enterrar sob os azulejos."

²X2: "Eu nunca quis te enterrar sob o roteador."

²X1: "Tiraram três quartos da minha alma."

²X2: "Me deram uma camisa do Arctic Monkeys."

²X1: "Legal."

²X2: "Legal."

Cabidela pt. 1

domingo, 13 de novembro de 2011

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Eu sou uma cabidela, se você quer saber. Um homem-espuma que não nega sua natureza de mar cheio de cloro. A pupila não dilata, mas ninguém vai embora. Tudo uma antimonotonia. Mas isso não basta.

Deus estaria envergonhado. Estaria sim. Ou pelo menos o Deus dos homens.

Eu sou a racional mais sentimental do bairro. Eu sou a maior mentirosa do corredor. A mais devagar da minha mente.

Todo dia é segunda-feira?

Pseudo pseudo pseudo

domingo, 22 de maio de 2011

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Não é um texto pra ser bonito. Não é um texto pra fazer metáforas com palavras bonitas. Não é um texto pra mostrar que eu sei o uso de vírgulas (meio mal, mas a gente finge que sim).

É pra ser direto, coisa que a gente nunca foi, porque a gente nunca precisou. E digo mais: quanto mais "pra" ao invés de "para" e quanto mais "a gente" no lugar de "nós", melhor. Porque é assim que dessa vez vai ser, e não "será".

É pra ser tosco. Eu diria que é pra ser bem babaca, na verdade.

Tô cansada disso tudo. Porra, cara. Eu queria te dar umas porradas na cara mas sem estar realmente com raiva. Você é que ia entender esse tipo de coisa. Ninguém nunca entendeu, só você.

Pois é. Ia ser bom ver a tua pseudo-cara de "sou alguém normal", usando o meu velho vício de falar "pseudo". Porque eu adorava a dúvida que tu sempre colocava na minha cabeça. Tu nunca foi normal, nem é. Tu não é normal, porra.

Você é aquele filho da puta na medida certa pra ser alguém em que se pode confiar, e isso me dá agonia. Eu, você, eles. Todos uns merdas.

Mas você tá por aí, né? Andando por aí (me diz que sim). Espero que ainda esteja por aí minimizando os problemas de todo mundo, que era o que eu precisava e você fazia.

Eu ainda consigo te imaginar andando pela Tijuca com um livro recém-comprado no sebo debaixo do braço com aquele teu casaco-de-todo-dia que abraçava todo mundo.

Porque sempre foi assim. O teu casaco abraçava todo mundo enquanto você fazia cara de "que porra é essa?!". E por isso a gente nunca era direto um com o outro. Mas é só o que eu quero agora, tu me respondendo objetivamente. Depois disso tu volta aí pra Tijuca e eu fico aqui na Veiga de tarde jogando futebol com a metade de um lápis.

Eu realmente queria te dar umas porradas na cara no sentido mais revoltado-afetivo possível, porque eu sei que tu ia entender.

Pós-homicídio

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

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Papéis com sangue no caminho eram provas de um homicídio que jamais fugira da mente; as cores e valores pós-homicídio sempre estavam lá para deixá-la como uma chapada fodida. Pertubá-la, por que não? Mariella tinha colado os lábios, e deixou escorrer saliva pelos seus olhos; o barulho das teclas destruira tudo. O céu agora rosa e laranja lhe abria os braços, como se ela o quisesse.
O céu cantava para destruí-la.

...

O céu era cinza escuro - mortos-vivos a descobriam. "Talvez seja o apocalipse pra terminar com uma merda", pensou ela.
Chamem o homem da batina.

Tempestade em copo de cappuccino

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

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Eu fui acostumada muito mal.

Sexta-feira, 17:30 da tarde. O dia ainda nublado e úmido, logo depois de uma quinta-feira na qual as garoas ainda surtiam efeito. Na cafeteria, só um casal em uma mesa distante da porta, uma senhora de idade sentada próxima à janela e um homem com os poucos fios de cabelo desgrenhados e já perto de um tom acinzentado.
— Também vai querer café? — perguntam-lhe com simpatia.
— Seria perfeito. Cappuccino, por favor. Para a viagem. — retribuiu com um sorriso, como se agradecesse o bom atendimento.
"Cappuccino", pensou, ainda semi-acordada de um daqueles devaneios que sempre teve pelos mais bobos e inúteis motivos. Olhou para as nuvens que deixavam o céu opaco, deu uma pequena risada ao relacioná-lo aos raros cabelos do homem que acabara de sair. Já perto de outro devaneio, sua atenção foi chamada pela moça simpática que a atendera.
— Com licença. — disse, colocando o café sobre a mesa.
Olhou mais uma vez para o céu. Depois de ver um passarinho qualquer voando rapidamente para se esconder da chuva que já começava a cair, com um ligeiro riso, pegou o café, pagou pela comida e saiu para sua casa.
Durante a metade do quarteirão, o chão já estava completamente encharcado. Não se importando, passou a tomar o café debaixo de um daqueles seus guarda-chuvas floridos que insistiam em se perder dela. Fez uma cara de decepção.

Arg, café puro.


Riu de si quando percebeu sua situação no meio da rua deserta.

Eu fui acostumada muito mal mesmo...

Beija-flor de vaivém

domingo, 12 de setembro de 2010

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"Os beija-flores são aves de pequeno porte, que medem em média 6 a 12 cm de comprimento e pesam 2 a 6 gramas. O bico é normalmente longo, mas o formato preciso varia bastante com a espécie e está adaptado ao formato da flor que constitui a base da alimentação de cada tipo de beija-flor. (...) São as únicas aves capazes de voar em marcha-ré e de permanecer imóveis no ar. O batimento das asas é muito rápido e as espécies menores podem bater as asas 70 a 80 vezes por segundo. Em contraste, as patas dos beija-flores são pequenas demais para a ave caminhar sobre o solo."
Eu era apenas um beija-flor esperançoso no meio de um céu nublado. Tudo o que eu sempre quis foi voar, até ser capturado por algumas cordas velhas de violão que já não faziam um belo acorde.


Vieram avisar que toco violão bem
Mas como pode beija-flor de vaivém
Fazer música aos ouvidos de alguém?

Vermelho

segunda-feira, 12 de julho de 2010

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*Com vermelho, pintei as unhas,
Pintei os dias e passarelas escuras.
Pintei o que achava que não ia,
Colori tudo que vermelho abrangia.


*Vermelho faz parte da tua vida.


*Com vermelho, pintei corações, pintei flores
Só para representar o caminho que fores.
Coloquei suspiros com sacolas e divisão
Apenas para agrupá-los em um padrão.


*Vermelho te dá e tira o teu chão.


*Com vermelho, pintei faróis,
Pintei casas, pintei bemóis,
Transbordei por várias pessoas
Descobrindo algumas tesouras... que...


*Tesouras que eu nunca quis achar
Pois elas não te fazem querer pintar,
Elas te fazem partir só por avenidas
Ou obrigam a pedir carona e comida.


*Vermelho AINDA faz parte da tua vida.

'Dismantle.Repair.' era a trilha sonora

sexta-feira, 9 de julho de 2010

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— Eram vários corredores, sabe? Bem iluminados, tapetes vermelhos, quadros. Eram corredores curvos como em um universo paralelo, eu acho. Uma das portas brancas dava acesso a um armazém velho, e só se enxergava lá dentro por causa de uns feixes de luz dos buracos do teto. Foi uma mudança brusca dos corredores para o armazém.

— E por que você corria pelos corredores até achar o armazém?

— Eu estava seguindo uma pessoa.

— Por que?

— Porque ela sorria, e eu segui seu sorriso.

— E então?

— Eu cheguei ao armazém e encontrei a pessoa lá. Ainda sorria, mas não com o mesmo conforto. Parecia preocupada. Sentou-se no chão empoeirado, e eu copiei seus movimentos. Olhei fixamente até obter alguma resposta, mas só via um rosto com um leve meio-sorriso, com algumas rugas de preocupação, como se algo fosse acontecer. Eu puxei conversa, e deixei um meio-sorriso se criar no meu rosto também, mesmo que eu estivesse com um pouco de medo do lugar. Alguns segundos depois, eu escutei um barulho. Imediatamente, não vi mais o sorriso do rosto de quem eu havia seguido — ao contrário, sua felicidade deu lugar à preocupação. Então apareceu um homem na entrada do armazém dizendo que eu tinha que ir.

— E você foi?

— Fui.

— Por que?

— Não sei, eu só fui. Mas não queria ir. Eu fui como se fosse uma obrigação.

— E então?

— Eu fui até a entrada, olhei para o homem. Uma angústia possuiu meu peito e eu não olhei para trás quando comecei a correr pelos corredores de volta. Eu ignorei completamente a luz confortadora deles e corri chorando até que eu saísse daquele lugar. Então, eu cheguei à uma rua com uma espécie de praça em frente, e estava deserta. Eu me sentia com medo, mas não sabia porque.

— E depois? O que houve?

— Eu acordei do sonho.

— Só isso?!

— Não. Eu também percebi que tinha que fazer algo.