5 da madrugada. Ela revirava-se na cama, olhava para a janela. Buscava um apoio na imensidão do céu, e nenhuma estrela parecia se importar com ela. Ora, todas tão distantes, não pareciam se importar em iluminar sua visão. Pensara em planos fazia tanto tempo - e pensara em tantos -, que agora já não sabia qual destes escolher, ou qual seria mais certo. Todas as noites sonhava correndo em uma estradinha de terra cheia de pedras que a faziam tropeçar por diversas vezes. O sol escaldante sobre sua cabeça a fazia delirar e pensar em desistir de encontrar o seu algo no final. As poucas árvores vivas na beira da estradinha não a forneciam apelo diante do futuro incerto. Sentia-se sozinha. Então acordava com a sua própria imagem da desistência do futuro infernizando sua mente. Logo às 5 da manhã. Era tão cruel, nenhum de seus dias começava sem uma dúvida sobre si mesma e sobre o que deveria fazer para alcançar tudo que desejava. Jogava seu próprio corpo ao mundo como se fosse uma boneca, esperando apenas o que iam lhe dizer quando vissem uma faísca de esperança em seu olhar. Seu brilho no olhar já foi tão reprimido que desaparecera.
Então ela finalmente parou. Parou de ouvir o mundo, parou de interagir com o mundo, parou de tentar ser parte do mundo durante alguns instantes e se sentiu sem alma com toda a situação em que se encontrou. Apenas perdera o brilho no olhar porque não enxergava mais o seu maior objetivo. Percebeu naquele momento que pensara tanto nos meios que esquecera o final. Qual seria o final? Qual o final que ela desejava? Qual o final que não desejava?
Ela voltou a enxergar, sim, ela voltou. Voltou a viver, voltou a sonhar. Voltou a enxergar os seus sonhos de madrugada e não esquecê-los logo na manhã do mesmo dia. Percebeu que o erro fora dela; ter deixado terceiros a tornarem uma cega diante de seu próprio futuro. Eles não precisavam opinar em nada, a menos que ela pedisse.
Ela não queria viver em um mundo de fadas como todos achavam, era tudo um esboço do que queria que se transformasse em realidade. Ela não estava tentando fugir do mundo, mas sim torná-lo melhor para ela mesma.
Então, no final do dia, deitou-se e caiu rapidamente no sono. Sonhou coisas boas que a deixaram tranqüila. Teve certeza do que queria, e não parou de sonhar quando acordou; ao contrário, tranformou o sonho daquela madrugada em apoio pra o seu sonho de vida ideal.
whystopdreamingwhenyouwakeup?
foto encontrada em Let's Inspire - http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=14230211016759105396
2009-2010
Tantas coisas boas; outras tão ruins. 2009 para mim foi assim - um misto de tudo e mais um pouco. Chorei muito, mas muito mesmo, mas também ri. Fui feliz na medida do possível e fui triste na época em que eu precisei, porque só assim eu pude crescer um pouco do que eu queria.
Digamos que eu senti tudo ao extremo. Ou muita alegria, ou muita tristeza. Eu quase nunca chegava a um meio termo disso e acabava sentindo duas coisas contrastantes, quando eu chegava, eu pensava: que coisa mais chata. Duas coisas totalmente opostas se anulavam de tal maneira para mim que eu não sentia nada no final. Não sentia que eu podia tornar aquele dia um aprendizado da mesma forma dos outros dias justamente por não sentir nada ao extremo. Eu sentia apenas que eu estava existindo, e não vivendo. Não que eu seja o tipo de pessoa que aproveita a vida ao máximo por aí e essas coisas, mas eu vivo. Vivo na medida em que eu fico satisfeita com isso e sinto que eu posso evoluir a partir daquele momento.
Mas sabe, eu evolui. Talvez para outra pessoa eu ainda pareça a mesma criança que depende dos outros, coisa que sempre fui. Mas eu vejo o mundo totalmente diferente do que eu vejo há exatamente um ano atrás. E eu fico satisfeita porque é justamente o que eu quero a cada ano que passa: crescer e ampliar minha visão do mundo. É assim que se deve viver.
Sabe, ano novo não é a única data em que podemos recomeçar. Pode-se recomeçar qualquer dia de nossa escolha. Mas é bem mais fácil quando todos se propõem a recomeçar também, você não se sente sozinho nisso.
E com isso, eu pretendo mudar também. Como eu já devo ter dito, eu gosto de mudar. Sempre procuro o melhor que eu posso fazer para mudar para melhor para com o mundo e para comigo mesma. Por que, pensando bem, qual a graça de ver o mundo se movimentando e você continuar o mesmo? Vale a pena viver satisfeito com os próprios defeitos? A resposta é não. Não vale a pena. Estamos aqui para sermos felizes. Mas também para buscar um estado onde fiquemos bem. E é isso que movimenta a vida, movimenta o mundo, movimenta as pessoas, movimenta os sonhos - essa busca incessante. Não é questão de buscar ser perfeito, porque não existe perfeição. Perfeição e imperfeição são pontos de vista apenas. A questão é se sentir bem, e ser agradável a você mesmo. Saber o objetivo que cada um de nós deve ter. É algo grande, que não pode ser explicado, apenas se pode sentir.
Ano novo é a época de se refrescar com novas perspectivas, novos objetivos que contornam o objetivo maior. Não prometa mudar e esquecer de tudo depois. Se quer mudar, você deve achar que é para o seu próprio bem; se não achar de verdade, você vai esquecer. Quantas vezes você parou para pensar se estava caminhando da maneira certa, se estava agindo do modo correto? Todos nós deveríamos pensar nisso todos os dias, não só no ano novo. Não custa nada.
E com isso, eu começo mais um ano com alegria, tristeza, saudade (muita), amor. Espero que 2010 seja tão bom ou até melhor quanto 2009. Quero viver da mesma maneira que vivi o ano passado, quero viver extremos, quero crescer, quero fazer a diferença na vida de alguém, quero pensar todo dia no que eu fiz e no que eu posso melhorar, quero sonhar. Quero viver de acordo com os meus valores e os adequando a mim a cada dia.
Quero viver, é isso. Feliz 2010.
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