Não é um texto pra ser bonito. Não é um texto pra fazer metáforas com palavras bonitas. Não é um texto pra mostrar que eu sei o uso de vírgulas (meio mal, mas a gente finge que sim).
É pra ser direto, coisa que a gente nunca foi, porque a gente nunca precisou. E digo mais: quanto mais "pra" ao invés de "para" e quanto mais "a gente" no lugar de "nós", melhor. Porque é assim que dessa vez vai ser, e não "será".
É pra ser tosco. Eu diria que é pra ser bem babaca, na verdade.
Tô cansada disso tudo. Porra, cara. Eu queria te dar umas porradas na cara mas sem estar realmente com raiva. Você é que ia entender esse tipo de coisa. Ninguém nunca entendeu, só você.
Pois é. Ia ser bom ver a tua pseudo-cara de "sou alguém normal", usando o meu velho vício de falar "pseudo". Porque eu adorava a dúvida que tu sempre colocava na minha cabeça. Tu nunca foi normal, nem é. Tu não é normal, porra.
Você é aquele filho da puta na medida certa pra ser alguém em que se pode confiar, e isso me dá agonia. Eu, você, eles. Todos uns merdas.
Mas você tá por aí, né? Andando por aí (me diz que sim). Espero que ainda esteja por aí minimizando os problemas de todo mundo, que era o que eu precisava e você fazia.
Eu ainda consigo te imaginar andando pela Tijuca com um livro recém-comprado no sebo debaixo do braço com aquele teu casaco-de-todo-dia que abraçava todo mundo.
Porque sempre foi assim. O teu casaco abraçava todo mundo enquanto você fazia cara de "que porra é essa?!". E por isso a gente nunca era direto um com o outro. Mas é só o que eu quero agora, tu me respondendo objetivamente. Depois disso tu volta aí pra Tijuca e eu fico aqui na Veiga de tarde jogando futebol com a metade de um lápis.
Eu realmente queria te dar umas porradas na cara no sentido mais revoltado-afetivo possível, porque eu sei que tu ia entender.
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