Tempestade em copo de cappuccino

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Eu fui acostumada muito mal.

Sexta-feira, 17:30 da tarde. O dia ainda nublado e úmido, logo depois de uma quinta-feira na qual as garoas ainda surtiam efeito. Na cafeteria, só um casal em uma mesa distante da porta, uma senhora de idade sentada próxima à janela e um homem com os poucos fios de cabelo desgrenhados e já perto de um tom acinzentado.
— Também vai querer café? — perguntam-lhe com simpatia.
— Seria perfeito. Cappuccino, por favor. Para a viagem. — retribuiu com um sorriso, como se agradecesse o bom atendimento.
"Cappuccino", pensou, ainda semi-acordada de um daqueles devaneios que sempre teve pelos mais bobos e inúteis motivos. Olhou para as nuvens que deixavam o céu opaco, deu uma pequena risada ao relacioná-lo aos raros cabelos do homem que acabara de sair. Já perto de outro devaneio, sua atenção foi chamada pela moça simpática que a atendera.
— Com licença. — disse, colocando o café sobre a mesa.
Olhou mais uma vez para o céu. Depois de ver um passarinho qualquer voando rapidamente para se esconder da chuva que já começava a cair, com um ligeiro riso, pegou o café, pagou pela comida e saiu para sua casa.
Durante a metade do quarteirão, o chão já estava completamente encharcado. Não se importando, passou a tomar o café debaixo de um daqueles seus guarda-chuvas floridos que insistiam em se perder dela. Fez uma cara de decepção.

Arg, café puro.


Riu de si quando percebeu sua situação no meio da rua deserta.

Eu fui acostumada muito mal mesmo...

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