Então eu cresci. Liguei minha TV.
Talvez eu tivesse à minha disposição vários canais que eu devesse olhar. Mas eu não queria. Quando me vi, estava admirada em assistir a um canal que eu jamais pensei que viria a ser do meu interesse. O sinal não era muito bom, mas não me atrevi a mexer na antena para ver no que dava. Eu fiquei feliz ao ouvir aquele chiado. Eu fiquei feliz... Ah, eu fiquei. Não queria admitir, mas acabei aceitando comigo mesma.
— Esse chiado não está certo... Troque de canal, esse barulho deveria ser irritante pra você.
— E se eu gostar do chiado? E se eu não quiser trocar de canal mesmo que meus ouvidos fiquem incomodados?
— Você não faz sentido.
— Vocês é que não sabem viver.
Eu prestava atenção ao chiado e ao chuvisco cinza da tela. Talvez eu me importasse mais do que eu deveria. Eu gostava até. Então eu pensava comigo mesma se não deveria segurar firmemente o controle da televisão, tomar coragem e trocar de canal, mas eu não queria.
E sabem aquelas teorias que eu formulava na minha cabeça? Eu ainda formulo algumas para tentar entender porque as pessoas insistem em querer mudar sempre o canal, a posição da antena ou até a televisão. Acho que eu vou demorar para entender as pessoas.
Só sei que eu ainda fico bem ouvindo o chiado do meu canal preferido.

2 comentários:
Interessante esse ponto de vista! Sinto falta de quando não existia controle remoto, pois nessa época --- devido à preguiça de levantar do sofá --- só se trocava de canal quando fosse realmente necessário.
Escreves bem, Maíra!
Parabéns!
o nome me chamou atenção, vou ler o post. HAHAHAHA. oi maíra ♥
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