A casa, a porta, o capacho

quarta-feira, 14 de abril de 2010





Olhei para o relógio — 7 da manhã. Você poderia dizer que eu cheguei cedo, e, de fato, cheguei. Mas eu não parecia me importar, mas já sabia que você ia. Eu também sabia que você não poderia me atender ainda, não naquele horário. Mas eu não me importei, subi os pequenos degraus, me deparei com a sua porta. Eu tinha medo, mas tentei parecer decidida no que fazia.


Talvez não fosse muito tranquilizador o fato de que em alguns segundos eu tocaria a campainha e esperaria você abrir a porta. Talvez não fosse muito animador o fato de que você não poderia me atender ainda. Ignorei os seus vizinhos que saíam para trabalhar enquanto me diziam que eu não deveria ter chegado tão cedo. Eu ignorei tudo, ainda ignoro.


O capacho que se encontrava em frente à sua porta não era dos mais convidativos, mas eu não me importei. O capacho não ia me servir de nada, talvez servisse para as pessoas que prestavam atenção nele. Você sempre usou aquele capacho lá, e nunca fez questão de que gostassem dele. Nem eu fiz questão de adorá-lo, até porque, como eu disse, o capacho não me importava muito.


Eu esperei e esperei lá fora. Os raios de sol daquela manhã atingiam meu rosto e me revigoravam, mesmo quando eu sabia que eu teria que esperar mais do que eu queria para que você abrisse a porta. Você estava lá, mas eu sabia que não podia me atender.


Então eu ouvi sua voz gritando lá de dentro que talvez eu devesse ir embora ao invés de esperar horas e horas para que você pudesse me atender. Eu assenti. Cheguei à conclusão que não valeria a pena esperar lá em pé enquanto você não poderia aparecer de frente pra mim. Então eu voltei pra minha casa do outro lado da rua, mas continuei olhando da minha janela para a sua em busca de um único sinal de que você estava abrindo a porta.


E apesar de não saber quando eu vou poder voltar a tentar te fazer uma visita, eu jurei a mim mesma que olharia no relógio cada segundo que passasse para que eu pudesse voltar à sua casa no momento mais adequado possível.

2 comentários:

Robson M. Gonçalves disse...

Passeando por aqui novamente...
Lindo texto, Maíra!
Seu talento com as palavras não condiz com sua idade, de forma geral.
Pelo jeito teremos uma grande escritora :)Parabéns!

Robson disse...

PS: algo está errado com a janela para digitar comentários: quando escrevemos e clicamos em "enviar", somos direcionados para uma página na qual devemos digitar uma palavra para verificação, até aí tudo bem. O erro ocorre quando tentamos digitamos a tal palavra, pois não aparece o local indicado (ele fica abaixo da tela, bem como o botão de enviar). Consigo comentar porque uso algumas teclas de atalho, que nem todos conhecem. Dê uma verificada, ok? ;)
Abs, Robson.

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