Eu e eu conversando sobre saudade

quinta-feira, 18 de março de 2010

Você sente saudades.
— Sinto. Mas não espalhe por aí. Não me deixe espalhar.
Você sempre tenta parecer tão forte.
— Só eu mesma não me acho forte.
— Por isso eu não te acho.
Suspirei. Me encontrei num estado que eu estava me escondendo, e queria que meu interior também se escondesse.

— Não quero ter saudades. Quero que você se convença de que é forte pra que eu também me convença. Daí eu posso convencer as pessoas.
Por que quer tanto parecer forte para as pessoas?
— Sinceramente, não quero parecer forte, só não quero parecer fraca.
E você acha que sendo forte, não vai sentir saudades?
— Eu esperava que as saudades ficassem mais fracas que eu, só isso.
Por que saudades te incomodam tanto? 
— Porque saudade é o meu passado querendo se tornar o meu presente e o futuro. E a minha vida, quem controla sou eu, não as saudades.
Entendi...
— Vai me deixar não ser tão fraca e finalmente poder controlar as coisas?
— Eu bem queria... Mas desculpe, eu só sou a parte que sabe tudo de você — e você sente saudades.
— Pensei que você me ajudaria a controlar esse passado.
Eu já te ajudei no possível e não adiantou muito.
— Então com quem eu falo?
Com a pessoa que é seu passado e você quer que se torne seu presente de novo.



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