Eu sou uma cabidela, se você quer saber. Um homem-espuma que não nega sua natureza de mar cheio de cloro. A pupila não dilata, mas ninguém vai embora. Tudo uma antimonotonia. Mas isso não basta.
Deus estaria envergonhado. Estaria sim. Ou pelo menos o Deus dos homens.
Eu sou a racional mais sentimental do bairro. Eu sou a maior mentirosa do corredor. A mais devagar da minha mente.
Todo dia é segunda-feira?
Pseudo pseudo pseudo
Não é um texto pra ser bonito. Não é um texto pra fazer metáforas com palavras bonitas. Não é um texto pra mostrar que eu sei o uso de vírgulas (meio mal, mas a gente finge que sim).
É pra ser direto, coisa que a gente nunca foi, porque a gente nunca precisou. E digo mais: quanto mais "pra" ao invés de "para" e quanto mais "a gente" no lugar de "nós", melhor. Porque é assim que dessa vez vai ser, e não "será".
É pra ser tosco. Eu diria que é pra ser bem babaca, na verdade.
Tô cansada disso tudo. Porra, cara. Eu queria te dar umas porradas na cara mas sem estar realmente com raiva. Você é que ia entender esse tipo de coisa. Ninguém nunca entendeu, só você.
Pois é. Ia ser bom ver a tua pseudo-cara de "sou alguém normal", usando o meu velho vício de falar "pseudo". Porque eu adorava a dúvida que tu sempre colocava na minha cabeça. Tu nunca foi normal, nem é. Tu não é normal, porra.
Você é aquele filho da puta na medida certa pra ser alguém em que se pode confiar, e isso me dá agonia. Eu, você, eles. Todos uns merdas.
Mas você tá por aí, né? Andando por aí (me diz que sim). Espero que ainda esteja por aí minimizando os problemas de todo mundo, que era o que eu precisava e você fazia.
Eu ainda consigo te imaginar andando pela Tijuca com um livro recém-comprado no sebo debaixo do braço com aquele teu casaco-de-todo-dia que abraçava todo mundo.
Porque sempre foi assim. O teu casaco abraçava todo mundo enquanto você fazia cara de "que porra é essa?!". E por isso a gente nunca era direto um com o outro. Mas é só o que eu quero agora, tu me respondendo objetivamente. Depois disso tu volta aí pra Tijuca e eu fico aqui na Veiga de tarde jogando futebol com a metade de um lápis.
Eu realmente queria te dar umas porradas na cara no sentido mais revoltado-afetivo possível, porque eu sei que tu ia entender.
É pra ser direto, coisa que a gente nunca foi, porque a gente nunca precisou. E digo mais: quanto mais "pra" ao invés de "para" e quanto mais "a gente" no lugar de "nós", melhor. Porque é assim que dessa vez vai ser, e não "será".
É pra ser tosco. Eu diria que é pra ser bem babaca, na verdade.
Tô cansada disso tudo. Porra, cara. Eu queria te dar umas porradas na cara mas sem estar realmente com raiva. Você é que ia entender esse tipo de coisa. Ninguém nunca entendeu, só você.
Pois é. Ia ser bom ver a tua pseudo-cara de "sou alguém normal", usando o meu velho vício de falar "pseudo". Porque eu adorava a dúvida que tu sempre colocava na minha cabeça. Tu nunca foi normal, nem é. Tu não é normal, porra.
Você é aquele filho da puta na medida certa pra ser alguém em que se pode confiar, e isso me dá agonia. Eu, você, eles. Todos uns merdas.
Mas você tá por aí, né? Andando por aí (me diz que sim). Espero que ainda esteja por aí minimizando os problemas de todo mundo, que era o que eu precisava e você fazia.
Eu ainda consigo te imaginar andando pela Tijuca com um livro recém-comprado no sebo debaixo do braço com aquele teu casaco-de-todo-dia que abraçava todo mundo.
Porque sempre foi assim. O teu casaco abraçava todo mundo enquanto você fazia cara de "que porra é essa?!". E por isso a gente nunca era direto um com o outro. Mas é só o que eu quero agora, tu me respondendo objetivamente. Depois disso tu volta aí pra Tijuca e eu fico aqui na Veiga de tarde jogando futebol com a metade de um lápis.
Eu realmente queria te dar umas porradas na cara no sentido mais revoltado-afetivo possível, porque eu sei que tu ia entender.
Pós-homicídio
Papéis com sangue no caminho eram provas de um homicídio que jamais fugira da mente; as cores e valores pós-homicídio sempre estavam lá para deixá-la como uma chapada fodida. Pertubá-la, por que não? Mariella tinha colado os lábios, e deixou escorrer saliva pelos seus olhos; o barulho das teclas destruira tudo. O céu agora rosa e laranja lhe abria os braços, como se ela o quisesse.
O céu cantava para destruí-la.
...
O céu era cinza escuro - mortos-vivos a descobriam. "Talvez seja o apocalipse pra terminar com uma merda", pensou ela.
O céu cantava para destruí-la.
...
O céu era cinza escuro - mortos-vivos a descobriam. "Talvez seja o apocalipse pra terminar com uma merda", pensou ela.
Chamem o homem da batina.
Tempestade em copo de cappuccino
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Maíra
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
às 19:01 0 comentários Marcadores: amor, inverno
Eu fui acostumada muito mal.
Sexta-feira, 17:30 da tarde. O dia ainda nublado e úmido, logo depois de uma quinta-feira na qual as garoas ainda surtiam efeito. Na cafeteria, só um casal em uma mesa distante da porta, uma senhora de idade sentada próxima à janela e um homem com os poucos fios de cabelo desgrenhados e já perto de um tom acinzentado.
Durante a metade do quarteirão, o chão já estava completamente encharcado. Não se importando, passou a tomar o café debaixo de um daqueles seus guarda-chuvas floridos que insistiam em se perder dela. Fez uma cara de decepção.
Arg, café puro.
Riu de si quando percebeu sua situação no meio da rua deserta.
Eu fui acostumada muito mal mesmo...
Sexta-feira, 17:30 da tarde. O dia ainda nublado e úmido, logo depois de uma quinta-feira na qual as garoas ainda surtiam efeito. Na cafeteria, só um casal em uma mesa distante da porta, uma senhora de idade sentada próxima à janela e um homem com os poucos fios de cabelo desgrenhados e já perto de um tom acinzentado.
— Também vai querer café? — perguntam-lhe com simpatia.
— Seria perfeito. Cappuccino, por favor. Para a viagem. — retribuiu com um sorriso, como se agradecesse o bom atendimento."Cappuccino", pensou, ainda semi-acordada de um daqueles devaneios que sempre teve pelos mais bobos e inúteis motivos. Olhou para as nuvens que deixavam o céu opaco, deu uma pequena risada ao relacioná-lo aos raros cabelos do homem que acabara de sair. Já perto de outro devaneio, sua atenção foi chamada pela moça simpática que a atendera.
— Com licença. — disse, colocando o café sobre a mesa.Olhou mais uma vez para o céu. Depois de ver um passarinho qualquer voando rapidamente para se esconder da chuva que já começava a cair, com um ligeiro riso, pegou o café, pagou pela comida e saiu para sua casa.
Durante a metade do quarteirão, o chão já estava completamente encharcado. Não se importando, passou a tomar o café debaixo de um daqueles seus guarda-chuvas floridos que insistiam em se perder dela. Fez uma cara de decepção.
Arg, café puro.
Riu de si quando percebeu sua situação no meio da rua deserta.
Eu fui acostumada muito mal mesmo...
Beija-flor de vaivém
"Os beija-flores são aves de pequeno porte, que medem em média 6 a 12 cm de comprimento e pesam 2 a 6 gramas. O bico é normalmente longo, mas o formato preciso varia bastante com a espécie e está adaptado ao formato da flor que constitui a base da alimentação de cada tipo de beija-flor. (...) São as únicas aves capazes de voar em marcha-ré e de permanecer imóveis no ar. O batimento das asas é muito rápido e as espécies menores podem bater as asas 70 a 80 vezes por segundo. Em contraste, as patas dos beija-flores são pequenas demais para a ave caminhar sobre o solo."Eu era apenas um beija-flor esperançoso no meio de um céu nublado. Tudo o que eu sempre quis foi voar, até ser capturado por algumas cordas velhas de violão que já não faziam um belo acorde.
Vieram avisar que toco violão bem
Mas como pode beija-flor de vaivém
Fazer música aos ouvidos de alguém?
Vermelho
*Com vermelho, pintei as unhas,
Pintei os dias e passarelas escuras.
Pintei o que achava que não ia,
Colori tudo que vermelho abrangia.
*Vermelho faz parte da tua vida.
*Com vermelho, pintei corações, pintei flores
Só para representar o caminho que fores.
Coloquei suspiros com sacolas e divisão
Apenas para agrupá-los em um padrão.
*Vermelho te dá e tira o teu chão.
*Com vermelho, pintei faróis,
Pintei casas, pintei bemóis,
Transbordei por várias pessoas
Descobrindo algumas tesouras... que...
*Tesouras que eu nunca quis achar
Pois elas não te fazem querer pintar,
Elas te fazem partir só por avenidas
Ou obrigam a pedir carona e comida.
*Vermelho AINDA faz parte da tua vida.
'Dismantle.Repair.' era a trilha sonora
— E por que você corria pelos corredores até achar o armazém?
— Eu estava seguindo uma pessoa.
— Por que?
— Porque ela sorria, e eu segui seu sorriso.
— E então?
— Eu cheguei ao armazém e encontrei a pessoa lá. Ainda sorria, mas não com o mesmo conforto. Parecia preocupada. Sentou-se no chão empoeirado, e eu copiei seus movimentos. Olhei fixamente até obter alguma resposta, mas só via um rosto com um leve meio-sorriso, com algumas rugas de preocupação, como se algo fosse acontecer. Eu puxei conversa, e deixei um meio-sorriso se criar no meu rosto também, mesmo que eu estivesse com um pouco de medo do lugar. Alguns segundos depois, eu escutei um barulho. Imediatamente, não vi mais o sorriso do rosto de quem eu havia seguido — ao contrário, sua felicidade deu lugar à preocupação. Então apareceu um homem na entrada do armazém dizendo que eu tinha que ir.
— E você foi?
— Fui.
— Por que?
— Não sei, eu só fui. Mas não queria ir. Eu fui como se fosse uma obrigação.
— E então?
— Eu fui até a entrada, olhei para o homem. Uma angústia possuiu meu peito e eu não olhei para trás quando comecei a correr pelos corredores de volta. Eu ignorei completamente a luz confortadora deles e corri chorando até que eu saísse daquele lugar. Então, eu cheguei à uma rua com uma espécie de praça em frente, e estava deserta. Eu me sentia com medo, mas não sabia porque.
— E depois? O que houve?
— Eu acordei do sonho.
— Só isso?!
— Não. Eu também percebi que tinha que fazer algo.
A síntese
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Maíra
quarta-feira, 26 de maio de 2010
às 00:42 3 comentários Marcadores: amor, egoísmo, pessoas, vida
Sinceramente, não venho com um texto repleto de metáforas hoje. Só vim falar. Falar sobre o que? Vamos por pontos.
*É, pessoas são idiotas. Para mim, isso é uma regra. Mas isso não diminui minha fascinação por pessoas, embora tenho visto coisas por aí que me bombardearam com decepções. Aliás, está aí uma das provas: pessoas sempre decepcionam outras pessoas. Por que? Porque ninguém é perfeito, e não há nada de errado nisso. Ninguém é perfeito porque somos naturalmente idiotas, e somos idiotas porque somos naturalmente imperfeitos. Nascemos repletos de defeitos e qualidades, e vamos morrer da mesma forma, com uma proporção diferente desses defeitos e qualidades; isto é, se você é disposto a querer aumentar as coisas boas que você tem. E como eu não acho que temos um motivo para estarmos nesse mundo, prefiro usar minha vida tentando sempre ser uma pessoa melhor com o que eu acho correto comigo mesma.
*Então começa outro ponto: não temos um sentido de vida. Não creio que fulano nasceu para fazer isso, e beltrano nasceu para ser assim. Não temos um caminho certo, nós fazemos esse caminho a cada dia, cada hora, cada segundo, no sentido mais literal. Cada segundo é uma escolha que fazemos. E são essas atitudes que nos formam, e, consequentemente, atitudes anteriores resultam nas futuras. Coisas minúsculas hoje podem te fazer mudar pensamentos e, no final, ser uma pessoa completamente diferente do que você poderia ter sido. É meio que um efeito-borboleta, como chamam por aí. E creio que a vida funcione assim.
*Sentindo que não tenho um sentido de vida, me vejo muito mais confortável para seguir meus sonhos com confiança na minha capacidade e para fazer o que eu achar mais devido na minha passagem por aqui. Eu escolhi viver acreditando em sentimentos na maioria do tempo, porque se o ser humano é capaz de sentir algo tão forte dentro de si, acho que devemos usar para alguma coisa. Mas não sou do tipo que é cega por acreditar em algo, existem casos e casos.
*Chegamos a outro ponto: o egocentrismo. Pessoas são egocêntricas. Eu penso que isso deve ser algum mecanismo da natureza que tem alguma funcionalidade em partes da nossa vida. E é por todo esse egoísmo e afins que tantas pessoas tentam impor sua opinião, às vezes contrariando até o que acreditam para conseguirem. Eu realmente não gosto disso. Eu acredito em bons sentimentos, e nem por isso vou me basear em ódio ou algo do tipo para fazer outra pessoa acreditar. Isso é algo que se sente, e isso não se força.
*E para terminar, não considero aquela idiotice humana que comentei algo ruim. Acredito que qualquer erro é um aprendizado, QUALQUER UM. E a cada momento aprendemos com algo. Já o egocentrismo é algo ruim, mas que pode ser controlado. Algo que faz parte de nós e não pode ser arrancado, mas pode ser diminuído e bastante. E é justamente por isso que eu ainda acredito nas pessoas, e que cada uma tem alguma célula de amor só esperando confiança do próprio corpo e mente que habita. E mesmo com tanto ódio, rancor, tristeza pelo mundo, eu acredito que todos têm essa célula e ela pode vir à tona a qualquer instante, e espero que seja em várias pessoas. É daí que surge a mudança do mundo: dos bons sentimentos.
E bom, eu acredito no amor. E é isso. Não sei o que dizer, ah.
*É, pessoas são idiotas. Para mim, isso é uma regra. Mas isso não diminui minha fascinação por pessoas, embora tenho visto coisas por aí que me bombardearam com decepções. Aliás, está aí uma das provas: pessoas sempre decepcionam outras pessoas. Por que? Porque ninguém é perfeito, e não há nada de errado nisso. Ninguém é perfeito porque somos naturalmente idiotas, e somos idiotas porque somos naturalmente imperfeitos. Nascemos repletos de defeitos e qualidades, e vamos morrer da mesma forma, com uma proporção diferente desses defeitos e qualidades; isto é, se você é disposto a querer aumentar as coisas boas que você tem. E como eu não acho que temos um motivo para estarmos nesse mundo, prefiro usar minha vida tentando sempre ser uma pessoa melhor com o que eu acho correto comigo mesma.
*Então começa outro ponto: não temos um sentido de vida. Não creio que fulano nasceu para fazer isso, e beltrano nasceu para ser assim. Não temos um caminho certo, nós fazemos esse caminho a cada dia, cada hora, cada segundo, no sentido mais literal. Cada segundo é uma escolha que fazemos. E são essas atitudes que nos formam, e, consequentemente, atitudes anteriores resultam nas futuras. Coisas minúsculas hoje podem te fazer mudar pensamentos e, no final, ser uma pessoa completamente diferente do que você poderia ter sido. É meio que um efeito-borboleta, como chamam por aí. E creio que a vida funcione assim.
*Sentindo que não tenho um sentido de vida, me vejo muito mais confortável para seguir meus sonhos com confiança na minha capacidade e para fazer o que eu achar mais devido na minha passagem por aqui. Eu escolhi viver acreditando em sentimentos na maioria do tempo, porque se o ser humano é capaz de sentir algo tão forte dentro de si, acho que devemos usar para alguma coisa. Mas não sou do tipo que é cega por acreditar em algo, existem casos e casos.
*Chegamos a outro ponto: o egocentrismo. Pessoas são egocêntricas. Eu penso que isso deve ser algum mecanismo da natureza que tem alguma funcionalidade em partes da nossa vida. E é por todo esse egoísmo e afins que tantas pessoas tentam impor sua opinião, às vezes contrariando até o que acreditam para conseguirem. Eu realmente não gosto disso. Eu acredito em bons sentimentos, e nem por isso vou me basear em ódio ou algo do tipo para fazer outra pessoa acreditar. Isso é algo que se sente, e isso não se força.
*E para terminar, não considero aquela idiotice humana que comentei algo ruim. Acredito que qualquer erro é um aprendizado, QUALQUER UM. E a cada momento aprendemos com algo. Já o egocentrismo é algo ruim, mas que pode ser controlado. Algo que faz parte de nós e não pode ser arrancado, mas pode ser diminuído e bastante. E é justamente por isso que eu ainda acredito nas pessoas, e que cada uma tem alguma célula de amor só esperando confiança do próprio corpo e mente que habita. E mesmo com tanto ódio, rancor, tristeza pelo mundo, eu acredito que todos têm essa célula e ela pode vir à tona a qualquer instante, e espero que seja em várias pessoas. É daí que surge a mudança do mundo: dos bons sentimentos.
E bom, eu acredito no amor. E é isso. Não sei o que dizer, ah.
The Unwinding Cable Car
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Maíra
sexta-feira, 30 de abril de 2010
às 17:29 2 comentários Marcadores: mudança, música, sonhos, vidaO que nos faz quem somos?
Eyes? Hair? Race? Sex?
Olhos? Cabelo? Raça? Sexo?
Who will you... love?
Quem você vai... amar?
Who will you... trust?
Quem você vai... confiar
Where is home?
Onde fica nosso lar?
What hardships will you face?
Que privações você vai enfrentar?
What hardships will you overcome?
Que privações você vai vencer?
What makes you happy?
O que te faz feliz?
What are your passions?
Quais são suas paixões?
If you could... do it all over again... what would you change?
Se você pudesse... fazer tudo de novo... o que você mudaria?
Relationships? Choices? Direction?
Relacionamentos? Escolhas? Direção?
What experience would you relive?
Que experiência você reviveria?
What will you... achieve?
O que você vai... alcançar?
What will you... be remembered for?
Pelo que você vai... ser lembrado?
Don't drop your arms.
Não desista."
Eu estive pensando em como as pessoas seriam um pouco melhores se fossem mais reflexivas em relação a cada ser humano, ao nosso redor, ao mundo, à vida, à sociedade. À sua vida. Se fossem menos superficiais e olhassem mais profundamente para as outras coisas que as cercam.
O futuro é assim tão importante para nos esquecermos do presente? E o passado, é tão importante assim? O que estamos fazendo nesse momento? O que estamos fazendo da nossa vida? Fazemos diferença para alguém? Alguém faz diferença na nossa vida?
A música: The Unwinding Cable Car, do Cities, terceiro álbum da banda Anberlin. Na verdade, é mais que uma música, é um aprendizado a partir do momento em que se lê atentamente cada frase e se entende cada palavra selecionada para a letra dessa música.
Em seguida, um trecho de um texto que fala sobre a canção de um modo geral e a sua composição.
Funcionando como o segundo single do álbum, essa música é, talvez, o oposto de Godspeed*. É reconfortante, animadora, um tapinha agradável nas costas. Foi uma escolha intrigante para single — eu acho que algumas outras músicas do álbum poderiam ter tido uma chance melhor de ser um estouro (Adelaide, Hello Alone), mas talvez a banda não estivesse pretendendo isso. Apesar dessa música não estar na mesma essência das outras de "Cities", eu acho que é difícil não vê-la como seu centro, como o coração do álbum. Como você vai ler abaixo, ela contém outro dos temas mais importantes do CD, é inegavelmente um farol de esperança em meio a um punhado de números não tão esperançosos. (...)
Stephen* diz: "É sobre alguém que olhava tanto para o futuro que nunca estava satisfeito no presente. Nunca. É como se algo de bom fosse acontecer no futuro, mas a vida não é satisfatória nesse segundo. E isso sempre foi um choque para mim, como 'por que você não pode viver no aqui, no hoje e no agora?'. (...) 'Por que você ainda está rezando pelo futuro, por que você está tão preocupado e interessado com isso que você não aproveita esse momento concedido?'. Olhe para tudo o que aconteceu, conte todas as suas bênçãos. Ficam tão presos no futuro que nunca viram a vida sob uma perspectiva e nunca a estudaram."
"Um dos temas do disco é 'eu conduzirei você pela escuridão', porque tem que haver aqueles momentos de solidão, quando a vida machuca e há dor, há sofrimento, porque eu acho que esses momentos nos transformam no que somos. Explore o lado mais profundo, mais escuro de você mesmo, de modo que você possa encontrar a esperança, a salvação, encontrar a vida em toda a sua beleza. Mas você tem que passar por esses momentos difíceis."
"Henri Nouwen disse uma vez que a solidão é a fornalha da transformação, e eu estava lendo Blaise Pascal ontem e em um de seus trechos, ele estava dizendo que não há nada na vida que não possa ser descoberto com você, um quarto vazio e uma cadeira apenas. Para mim, era como se as pessoas nunca tivessem sentado nessa cadeira, nunca houve essa fornalha para eles, era sempre o futuro. Então eu estava tentando encorajá-los e dizer 'escute, você é brilhante, você está ótimo, você é um ser humano maravilhoso, pare de olhar no futuro para descobrir que a vida é tão bela neste momento."
"Na teoria de sombras (do psicólogo Carl Jung), ele estava falando sobre como você tem que explorar esse lado negro para qualquer tipo de criatividade surgir, seja arte, música, ciência ou qualquer outra coisa (...). Para mim, eu sei que é nesses momentos e nos momentos mais sombrios da minha vida que eu encontrei quem eu realmente sou, o que me fez, e assim, eu não sei, espero que todos explorem esses lados."
*Godspeed foi o primeiro single do disco.
Acredito (espero, na verdade) que isso convide cada um que ler esse texto a pensar "quem você vai amar? Quem você vai confiar? O que faz você feliz? Se você pudesse fazer tudo de novo, o que você mudaria?" e várias outras perguntas. Porque viver é mais do que acordar de manhã, ir para o trabalho e ver o mundo em constante movimento ao seu redor. Fazer parte desse movimento, questionar e se perguntar coisas sobre a vida também faz parte dela.
Crianças
O idoso depositou a xícara de chá sobre o pires que se encontrava sobre a mesinha no centro da sala. Acomodou-se em sua poltrona. O recém-formado médico olhou atentamente cada movimento inocente do velho homem.
— Aquelas crianças, meu jovem doutor.
— Quais crianças, senhor?
— As que perderam o brilho do olhar.
O jovem ajeitou um fio de cabelo que insistia em cair sobre seus olhos. Pensou, mas não conseguiu entender o que dizia seu companheiro de conversa.
— Não compreendo.
— Meu caro doutor, vou lhe dizer: todas as crianças deste mundo tiveram o brilho arrancado pela vida e pelo tempo. Não deixe isto acontecer, está bem? Não com a sua criança.
— Não tenho filhos, senhor...
O velho, que bebia mais um tanto de chá, separou a xícara de seus lábios rapidamente e soltou uma gargalhada.
— Acho que você ainda não entendeu, meu rapaz... — o velho dizia olhando para a fumaça que saía tímida do recipiente — Olhe seu reflexo no espelho. Visualize o olhar das crianças caídas dentro do seu próprio olhar e responsabilize-se por revivê-las. Não se acomode diante desta epidemia que vem destruindo os brilhos ao redor do mundo e ao longo da história da humanidade.
Nunca deixe o pouco da criança dentro de você que ainda te ilumina morrer.
— Aquelas crianças, meu jovem doutor.
— Quais crianças, senhor?
— As que perderam o brilho do olhar.
O jovem ajeitou um fio de cabelo que insistia em cair sobre seus olhos. Pensou, mas não conseguiu entender o que dizia seu companheiro de conversa.
— Não compreendo.
— Meu caro doutor, vou lhe dizer: todas as crianças deste mundo tiveram o brilho arrancado pela vida e pelo tempo. Não deixe isto acontecer, está bem? Não com a sua criança.
— Não tenho filhos, senhor...
O velho, que bebia mais um tanto de chá, separou a xícara de seus lábios rapidamente e soltou uma gargalhada.
— Acho que você ainda não entendeu, meu rapaz... — o velho dizia olhando para a fumaça que saía tímida do recipiente — Olhe seu reflexo no espelho. Visualize o olhar das crianças caídas dentro do seu próprio olhar e responsabilize-se por revivê-las. Não se acomode diante desta epidemia que vem destruindo os brilhos ao redor do mundo e ao longo da história da humanidade.
Nunca deixe o pouco da criança dentro de você que ainda te ilumina morrer.
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